The Walking Dead | Início da 8ª temporada não empolga

The Walking Dead | Início da 8ª temporada não empolga

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A oitava temporada de ‘The Walking Dead‘ já tem três episódios, mas poderia ser apenas um, tranquilamente. A coleção de subtramas desnecessariamente longas mantém o show na morosidade e chatice que afastaram muitos espectadores no último ano. Ainda é o carro-chefe da FOX e a menina-dos-olhos da AMC, mas o enredo está tão confuso e desinteressante que já é possível vislumbrar o fim.

Em “Mercy”, o season opener, Rick junta todos os seus aliados e aparece literalmente na porta de Negan para desafiá-lo. Ele tenta dar uma alternativa aos Salvadores, prometendo integrar em sua turma qualquer um disposto a abandonar a luta. Obviamente ninguém aceita e a bala come solta. A ação é tão imbecil, com dezenas de milhares de tiros desperdiçados sem nunca acertar ninguém direito, que a breve cena entre o Padre Gabriel e Negan, apesar de bizarra, parece a melhor coisa do episódio.

Nesta temporada, a série tenta resgatar um pouco da humanidade de Rick enquanto todos ao seu redor se tornam mais violentos a cada minuto. É um contraponto interessante ao modo como o protagonista foi representado na quinta e sexta temporadas, mas também soa repetitivo, até porque Morgan teve o mesmo dilema recentemente. O personagem de Morgan, aliás, despirocou de vez depois de seu amigo ter sido morto e está cada vez mais próximo da fase Here’s Not Here que conhecemos na terceira e sexta temporada. Tinha tudo para ser interessante e culminou até em um duelo divertido contra Jesus na terceiro episódio, mas durante o restante do tempo, ele parece apenas constipado.

The Walking Dead S08 Morgan

Houve um tempo em que o drama psicológico e a ligação entre as pessoas eram pontos altos da série. Mesmo na desastrosa segunda temporada, quando a busca por Sophia pareceu interminável, descobrimos traços definidores sobre Daryl, Glenn, Shane e, claro, Rick. Desde o ano passado, porém, todos os sobreviventes se tornaram caricaturas de personagens de ação: falam e agem ora de maneira idiota ora de maneira surpreendentemente estratégica, sem o menor padrão. Por exemplo, no primeiro episódio, a coisa mais fácil do mundo era matar Negan, que expôs sua carona sarcástica ao ser confrontado pelos aliados do protagonista. Bastava alguém levantar a arma e matá-lo. Haveria um tiroteio em seguida, é verdade, mas com certeza seria um massacre menor em comparação com a guerra.

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No segundo episódio, The Damned, as diferenças de pensamento entre os seguidores de Alexandria, Hilltop e do Reino se acentuam. Tara busca vingança e quer matar todos os Salvadores, enquanto Jesus não aceita executar inimigos indefesos. No meio disso tudo, Morgan enlouquece de novo e também quer meter bala em geral. A única coisa interessante a respeito é Jesus, o melhor personagem em cena atualmente, com uma dinâmica minimamente realista e sentimentos de ser humano.

The Walking Dead S08 Jesus

Há ainda o retorno de Morales, que ninguém se lembrava. Ele foi um dos membros do acampamento de Atlanta e conviveu por alguns dias com Rick. Quando o policial e seus amigos foram para o CDC atrás de respostas para o apocalipse, Morales seguiu seu próprio caminho atrás de familiares. Sete temporadas depois descobrimos que sua esposa e as duas filhas morreram e ele se tornou um Salvador.

Um plot twist interessante e que nos remete aos bons tempos de drama de The Walking Dead. Infelizmente foi desperdiçado no episódio seguinte, Monsters, assim como uma saraivada de tiros. Para um policial treinado, Rick tem uma pontaria péssima. No caso dos membros de seu grupo, eles nunca manusearam uma arma de grosso calibre e, portanto, têm uma desculpa para serem tão ruins de mira. O xerife, porém, atira a esmo sem nunca atingir ninguém e nos deixa pensando se os armamentos são realmente recursos preciosos na distopia de ‘TWD‘. Tanto um lado quanto o outro gastam munição como se não houvesse amanhã e, mesmo assim, ela quase nunca acaba.

The Walking Dead S08

Os três primeiros episódios da oitava temporada são tão fracos quanto os que minaram a sétima, mas ao menos desenvolveram a relação entre Carol e o Rei Ezekiel e, graças a Deus, ignoraram a existência do povo do Lixão. Há ainda um momento tocante entre Aaron e Eric, único romance minimamente interessante ainda em cena. Existe pouca esperança para o show, que se tornou um zumbi audiovisual, caminhando a esmo querendo consumir o seu cérebro.

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Eric Zambon

Pai da Olívia e dono de um espírito de tiozão. Aspiro, algum dia, ser o parente da piada do Pavê. Até lá, leio qualquer conto do Hemingway e de Bukowski em que consigo colocar as mãos. Sabe como é, leia os grandes para se tornar um deles. Outro dia escutei a discografia inteira do Arctic Monkeys e descobri que é horrível, então continuo à espera da reunião do Oasis.

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