The end of the f***ing world: a comédia teen mais dramática da Netflix

The end of the f***ing world: a comédia teen mais dramática da Netflix

Autor: 224

A premissa é totalmente comum à primeira vista: dois adolescentes, cansados da cidade e da vida que levam, decidem fugir. Mas não se engane, ‘The end of the f***ing world‘ é bem diferente do que você imagina. Primeiro de tudo, James é um psicopata (pelo menos ele tem quase certeza de que é) e, depois de matar vários pequenos animais, decide matar sua companheira de viagem, Alyssa. Ela, sem desconfiar de nada, não só facilita as coisas, como também o desafia o tempo todo e, por um momento, acha que ele pode ser o amor da vida dela. Só por isso, a série consegue ser engraçada em vários momentos, mas não deixa de ser dramática e até mesmo – acredite – romântica. É possível sentir de tudo um pouco; no piloto os dois se mostram bem antipáticos e, nos dois episódios seguintes, você pode sentir raiva e até um pouco de tédio, mas a partir do quarto capítulo a história começa a pegar no tranco e, no final, você se depara torcendo por eles e roendo as unhas a cada besteira que eles fazem e vibrando por cada conquista. Dá até vontade de entrar na história só pra abraçar cada um.

TEOTFW‘ foi produzida pela Netflix em parceria com o canal inglês Channel 4 e estreou no Reino Unido em outubro de 2017. Meses depois, na última sexta-feira, estreou internacionalmente no serviço de streaming e, em menos de uma semana, recebeu elogios da crítica especializada – 97% de avaliações positivas no Rotten Tomatoes. Os episódios têm humor irônico, críticas ácidas e cenas que exploram as falhas e loucuras humanas, como todo bom programa britânico. Os pensamentos de James e Alyssa se intercalam com os acontecimentos e servem muitas vezes de alívio cômico. O roteiro tem a capacidade de tornar os personagens principais, inicialmente vistos como “rebeldes sem causa”, mais carismáticos aos poucos. Nada é entregue de graça, principalmente no caso de James, que a todo momento diz (ou pensa) que não é capaz de sentir nada. Quando ele sorri pela primeira vez depois que vê Alyssa entrando pela porta de uma lanchonete de beira de estrada tudo muda e o espectador se vê sorrindo junto.

The End of the F***ing World

Aliás, as atuações de Alex Lawther e Jessica Barden são fantásticas. Lawther, que já tinha mostrado uma excelente performance no episódio ‘Shut up and dance‘, de ‘Black Mirror‘, comprova que é um dos melhores atores britânicos da geração atual, interpretando o desajustado e robótico James de forma tão convincente. Jessica também não fica atrás e, ao mesmo tempo em que irrita, transforma Alyssa numa personagem encantadora com o passar do tempo. Os coadjuvantes que compõem o restante da trama também são muito bons, apesar de aparecerem pouco. Barry Ward, em especial, é ótimo no papel de Leslie, traficante e pai irresponsável de Alyssa.

Em uma das cenas mais legais da temporada, Leslie diz à filha que é muito fácil encontrar desculpas para se vitimizar e culpar os outros pelos erros que cometemos. Enquanto a menina chora, James pergunta: “E qual é a sua desculpa pra ser um idiota?”. E então Alyssa, em pensamento, diz, “Eu amo (James) pra ca*****”. É a confirmação de que os dois fariam qualquer coisa para proteger e defender um ao outro. O que de fato acontece momentos depois.

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Por vezes, ‘TEOTFW’ lembra os filmes de road trip americanos e de perseguição, como ‘Thelma & Louise ou Bonnie and Clyde‘, exibindo paisagens lindas do interior do Reino Unido ao som de blues e country. Inclusive, outro ponto positivo da série é a trilha sonora, composta por músicas dos anos 50 e 60 e por bandas indie britânicas. A playlist já está disponível no Spotify e é particularmente boa para ouvir enquanto dirige, no ônibus ou enquanto arruma a casa, de verdade.

Dividida em 8 episódios curtos – no máximo 22 minutos -, a série foi feita para maratonar em um fim de semana. E vale super a pena porque, além de todas a risadas e aflições, o final é de perder o fôlego. Mesmo com um desfecho incerto, definitivamente você vai esperar ansiosamente por uma renovação e por uma segunda temporada ainda mais maluca e empolgante.

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Bárbara Oliveira

Bárbara já foi jornalista, professora, tradutora e palhaça (no sentido denotativo e no conotativo também). Ri das coisas mais bobas e adora piada ruim. Sabe de cor as falas dos seus seriados e filmes favoritos, tem medo de boneca e não assiste a filmes de terror de jeito nenhum. Na verdade, até assistiria se oferecessem muito dinheiro. Sonha em ter um pug preto, gordo e bem vesgo. Gosta muito de chá.

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