Review | ‘The Walking Dead’ continua a flertar com o próprio fim

Review | ‘The Walking Dead’ continua a flertar com o próprio fim

Autor: 61

Os episódios quatro e cinco desta oitava temporada de The Walking Dead poderiam ter sido fundidos em um. Essa crítica já foi feita no passado, mas a recorrência de cenas e subtramas irritantes e desnecessárias na série parece birra dos produtores. Em ‘Some Guy’, ainda há o agravante de as cenas de ação serem muito idiotas, a ponto de colocar em xeque toda a (já combalida) credibilidade do show.

O episódio é centrado na desilusão do Rei Ezekiel, que caiu na real sobre a galhofada de encarnar um personagem shakespeariano em meio a um apocalipse zumbi. Nas HQ’s, ele é uma pessoa bem menos importante e menos sábia, mas a imagem construída na série, provavelmente tentando expandir o universo dos quadrinhos, torna tudo muito esquisito. É como se os produtores tivessem comprado a versão dele sobre sua majestade e colocado nas telas tudo o que ele não é nas páginas.

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Na temporada passada até funcionou bem, especialmente pela química criada com Carol e Morgan, mas o tamanho da queda que ele toma em ‘Some Guy’ tornou tudo extremamente patético. E patético é, de fato, a única palavra a ser aplicada ao roteiro de The Walking Dead desde a season sete. Como puderam perder tanto a mão?

Não apenas isso. A cena de perseguição entre Rick, Daryl e dois Salvadores beira o risível, como se faltasse dinheiro ao show e eles tivessem decidido economizar nas partes cruciais. Já havia sido assim com a patética cena do veado na temporada anterior e continua até em efeitos básicos, como de explosão.

No episódio seguinte, ‘The Big Scary U’, todos os personagens mais detestáveis do show se reúnem para uma conferência. Negan, Gregory e todos aqueles Salvadores caricatos demais para serem verdade estão em uma sala debatendo sobre os rumos que a guerra pode tomar, quando um exército aparece na porta deles. É uma visita ao instante que antecede o primeiro capítulo desta oitava temporada. Não acrescentou em nada.

Tudo isso para voltarmos à cena esquisita entre o Padre Gabriel e Negan, confinados em um trailer no Santuário, cercados de zumbis. Todas as escolhas visuais desse momento remetem a um confessionário de igreja, e o próprio religioso afirma que, talvez, sua missão em toda a treta seja “ouvir uma confissão de Negan”. Depois de vários diálogos rasos e referências pontuais aos quadrinhos, o momento é interrompido de maneira tão frustrante quanto todo o resto.

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A ideia era mostrar diferentes facetas do atual vilão de TWD e tentar lhe conferir um pouco de humanidade, talvez até carisma. O grande problema é que simplesmente não funciona, assim como a escolha rebuscada de palavras de Eugene, supostamente para demonstrar sua inteligência, dá a impressão de ele ser apenas muito idiota. Os produtores querem justificar o injustificável, querem colocar as matanças de Negan como atos de sobrevivência e fazer dele um contraponto a Rick, como dois lados de uma mesma moeda. Infelizmente, o dono de Lucille (cujo nome, enfim, é explicado) está mais próximo da galhofada do Rei Ezekiel.

Rick volta ao centro moral das decisões de Alexandria e entra em conflito com Daryl, que busca soluções mais práticas para o conflito instalado. Ele não se importa em colocar a vida de milhares de pessoas em risco, com um ataque ao Santuário, enquanto o xerife aponta os impedimentos morais em ignorar a integridade dos civis durante uma guerra. Eles brigam e uma coisa muito idiota acontece, comprometendo a lógica da trama desenvolvida até ali.

Para o próximo episódio, Hilltop deve voltar ao centro das atenções e tanto Rick quanto Ezekiel devem se reorganizar para levar o plano deles novamente à porta dos Salvadores. Quem acompanha as resenhas de TWD pelo Uber 7 já deve ter notado o tédio e clima enfadonho que a série se encontra há 21 episódios. Se há alguma esperança de tudo melhorar, apenas Maggie pode salvar o mundo (e o show)  da desgraça.

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Eric Zambon

Pai da Olívia e dono de um espírito de tiozão. Aspiro, algum dia, ser o parente da piada do Pavê. Até lá, leio qualquer conto do Hemingway e de Bukowski em que consigo colocar as mãos. Sabe como é, leia os grandes para se tornar um deles. Outro dia escutei a discografia inteira do Arctic Monkeys e descobri que é horrível, então continuo à espera da reunião do Oasis.

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