Review | Fan service foi o menor dos problemas de Game of Thrones

Review | Fan service foi o menor dos problemas de Game of Thrones

Autor: 212

Poderia ter sido melhor. Esse é o pensamento preponderante quando se fala sobre a 7ª temporada de ‘Game of Thrones‘, mas temos que entender algo: isso não significa que a temporada foi absolutamente ruim. Foi pior que as anteriores, mas ainda assim entregou resultados que dificilmente poderiam ser esperados de um programa de TV – talvez em Hollywood. E uma coisa é fato: não foi o fan service que prejudicou a qualidade da série. Repetir isso é mascarar as falhas gritantes de roteiro que têm muito mais a ver com a falta de criatividade do que um suposto plano para agradar a base de fãs.

Isso porque virou moda nas redes sociais e nos comentários de sites dizer que ‘Game of Thrones‘ virou uma fanfic. Mas o fan service nunca foi um problema – o calo aperta é quando ele é mal feito. Quando Arya matou Sor Meryn Trant, por exemplo, foi um fan service puro; a morte de Ramsay com Sansa assistindo também; aparição de Torta Quente também. Enfim, o problema não é agradar fã (isso é fundamental em qualquer série), mas, sim, fazer isso de forma habilidosa para não ficar ruim.

Game of Thrones Drogon Jon Snow

A cena do dragão derrubando parte da Muralha foi linda, apesar de rápida, o casal Jonerys já era óbvio e Petyr Baelish implorando pela própria vida, chorando e ajoelhado na frente de Sansa enquanto Arya cortava sua garganta foi memorável. Pode-se concluir que o problema da temporada como um todo não foram os desfechos nos quais os núcleos chegaram, mas os caminhos percorridos até chegar lá.

Um exemplo claro dessa falha na condução das tramas aconteceu com Euron Greyjoy. Assim que viu o wight tentar atacar Cersei, ele pegou o boné e foi embora, aparentemente para se proteger nas Ilhas de Ferro. Mais tarde a Rainha revelou que ele, na verdade, estava levando adiante um plano para trair os inimigos, trazendo a Companhia Dourada para Westeros. Um fim estranho, frente aos vários episódios de sumiço que poderiam ter mostrado algo sobre o cárcere de Yara ou sobre o próprio Euron – algo que justificasse ele ser um líder tão respeitado. A surpresa pela evasão do Greyjoy existiu, mas não foi nada sentida pelo público, que já se habituou à ausência do personagem.

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O que salvou o episódio “The Dragon and the Wolf” foi o retorno dos aspectos políticos que sempre empurraram a série para frente. Ao mesmo tempo, o que deu um gosto amargo foi a resolução extremamente previsível de todos os dilemas criados. Ao contrário do que muitos têm dito, isso não é fan service coisa nenhuma. Se fosse para seguir os pedidos dos fãs, muitos personagens teriam morrido, com mais batalhas e sangue esguichando na sua tela. Parando para pensar, a preguiça do roteiro não se deu por entregar ao público o que ele quer ver, mas, sim, por fazer as escolhas mais fáceis. E como as escolhas fáceis são previsíveis, várias teorias se confirmaram.

Game of Thrones Mindinho

Foram outras características sofríveis que derrubaram a qualidade de ‘Game of Thrones‘. Elipses temporais ora precisas, ora bizarras, diálogos rasos e uso excessivo do deus ex machina limaram qualquer chance de salvação da sétima temporada. Acontecimentos super esperados tiveram pouco ou quase nenhum impacto. De início, já dá para citar dois: o encontro entre Jon e Daenerys, que finalmente aconteceu, e não apenas a revelação do casamento de Lyanna Stark com Rhaegar Targaryen, mas também uma cena com eles!

 

O lado bom da série

Nem tudo foi um lixo completo.

Sansa tem se mostrado cada vem mais “filha de seu pai” e totalmente capaz de governar o Norte. Apesar das cenas pouco atrativas com a irmã mais nova, ela continuou o ciclo de desenvolvimento pessoal que todos estavam torcendo ao condenar Mindinho à morte; Gendry retornou e não foi apenas para dar uma satisfação às “viúvas” do personagem: ele teve sua importância narrativa; a Irmandade Sem Bandeiras foi interessante, muito por causa dos diálogos do episódio 6; Tyrion voltou a ser questionado, pois como ele conseguiria convencer Cersei a voltar atrás e ajudar na guerra contra os White Walkers? Poderia ter acontecido um acordo secreto entre eles; e a própria cena de apresentação dos mortos-vivos à Rainha foi bacana.

Isso além do ponto mais do que positivo que é o visual de ‘Game of Thrones‘. A batalha na Campina, quando Drogon incendiou as cargas Lannister e se machucou após um tiro de Bronn, foi uma das mais épicas da história da televisão. O mesmo aconteceu na batalha Pra Lá da Muralha, na qual o contraste entre gelo e fogo foi magicamente construído. Outras cenas menores como a tomada de Rochedo Casterly e o ataque de Euron à frota de Dany foram muito bem feitas.

Game of Thrones Dragão

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Mas sim, é pouco para o que todos esperamos de GoT. Simplicidade nunca foi uma marca registrada da produção e previsibilidade passava longe dos acontecimentos principais. A sétima temporada foi tão estranha que qualquer análise vai ficar nesse vai-e-vem entre o que foi bem ruim e o que foi bom – qualquer extremismo seria equivocado.

A conclusão é que os fins não justificam os meios em ‘Game of Thrones‘: não adianta apresentar um arremate excelente se o caminho construído até ali foi fraco (núcleo de Winterfell) ou apresentar uma trajetória interessante e estragar tudo nos finalmentes (romance entre Jon e Daenerys).

O que fica é a esperança de uma oitava temporada melhor. E que ela chegue logo, porque de espera já bastam os livros, não é, George R.R. Martin?

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Filipe Rodrigues

Jornalista, apaixonado por futebol, nerd e leonino. Apesar de acompanhar tudo o que acontece no mundo dos esportes, escolheu o universo das nerdices pra dedicar seu tempo produtivo e criativo. Gosta muito de Superman; entre Vingadores e X-Men fica com os mutantes; adora coisas nostálgicas como Digimon, Power Rangers e Dragon Ball; e seu filme favorito agora é Mad Max: Estrada da Fúria!

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