Review | ‘Castlevania’ é a melhor adaptação de um game para a TV

Review | ‘Castlevania’ é a melhor adaptação de um game para a TV

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‘Castlevania’ pega emprestado a estética dos animes para criar algo único no catálogo da Netflix. Baseado no terceiro jogo da franquia, ‘Dracula’s Curse’, lançado em 1989 para o Nintendo Entertainment System (NES), a animação apresenta uma aventura medieval e vampiresca, com grande crítica ao fanatismo religioso e alfinetadas pontuais à atuação da Igreja Católica na Idade das Trevas.

O tom adulto da obra, recheada de cenas de violência física e psicológica, fez ela ser classificada como não recomendável a menores de 16 anos no Brasil. Assim, os combates entre o protagonista Trevor Belmont e os outros humanos do enredo contra o exército demoníaco de Drácula estão repletos de boas cenas, muitas delas explícitas e sangrentas, mas todas visualmente muito bem concebidas.

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A direção de Sam Deats valoriza bastante os traços de comic book concebidos por seus irmãos Adam e Samuel Deats, em parceria com uma equipe de 21 desenhistas e animadores. As feições quadradas apresentadas a princípio causam estranheza, mas quando as cenas pedem traços mais fluidos e exigem mobilidade do personagem, a animação não decepciona, apesar de estar um patamar abaixo de vários animes disponibilizados no catálogo da Netflix.

A obra tem um quê de trabalho experimental, tanto pela colorização e acabamento simplistas quanto pela duração da temporada. São apenas quatro episódios de 23 minutos, com cenas de ação somente pontuais e certa morosidade no roteiro de Warren Ellis (de ‘Homem de Ferro 3’). O clima pesado e as boas interações entre os personagens, porém, compensam outros aspectos técnicos. Não à toa, a série recebeu boas avaliações mundo afora.

Talvez o ponto fraco seja o som. As dublagens de Richard Armitage (o Thorin Escudo-de-Carvalho em ‘O Hobbit’) como Trevor e de Graham McTavish (o Dwalin também de ‘O Hobbit’) como Drácula se encaixam à atmosfera soturna da animação, mas estão em volume muito baixo. Em certos instantes, é difícil entender precisamente a fala dos personagens, especialmente se não houver legenda. A impressão é que eles estão sussurrando a todo instante, especialmente no caso de Armitage. Por vezes, isso se encaixa com o momento, em outros parece trabalho porco da equipe de captação de áudio.

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A história

Na trama, o conde Vlad Drácula, conhecido como um inescrupuloso lorde vampiro na Europa do século XV, se apaixona por uma médica humana, o que diminui sua sede por sangue e faz ele ter fé na humanidade de novo. Quando ela é queimada na fogueira, por ordem da alta hierarquia da Igreja, sob acusação de ser uma bruxa, o conde perde qualquer escrúpulo e convoca seu exército demoníaco para destruir o continente.

Nesse contexto, o último sucessor da família Belmont, Trevor, vaga pelas cidades mais preocupado em beber cerveja do que seguir o passo de seus pais e combater as forças ocultas. No entanto, ele é forçado a se envolver quando os ataques dos demônios atingem pessoas próximas.

A história lembra em partes o enredo do game e aproveita todos os personagens, incluindo a feiticeira Sypha Belnades e o filho de Drácula, Alucard. Como a temporada é curtíssima, as apresentações acontecem de maneira rápida, porém eficiente.

O jogo

O primeiro ‘Castlevania’ surgiu em 1986 para o glorioso Nintendinho. foi um dos primeiros títulos de aventura do console, que no mesmo ano recebeu o clássico ‘The Legend of Zelda’. A temática de terror aliada aos bons gráficos (para a época), tornaram o game um sucesso instantâneo, que rendeu duas continuações para o NES.

A primeira, ‘Simon’s Quest’, adotou um estilo mais parecido com Zelda, incorporando elementos de RPG à jogatina, enquanto a segunda sequência da franquia, ‘Dracula’s Curse’, cujo enredo inspirou a série do Netflix, retornou ao estilo sidescroller.

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Nas décadas seguintes, ‘Castlevania’ ganhou ramificações em todas as plataformas, de mesa e portáteis, e se tornou um dos carros-chefes da Konami, desenvolvedora do game. O título mais recente é ‘Castlevania: Lord of Shadows 2‘, com um remake de ‘Symphony of The Night’, sucesso no PSOne, em processo de conclusão.

A Netflix já anunciou a adaptação de outros jogos em séries animadas, sendo a franquia ‘Assassin’s Creed’ o provável novo lançamento da plataforma. É a chance de os cineastas se redimirem com o público gamer, tão negligenciado pela sétima arte, seja por falta de atenção a grandes títulos com possibilidade de migrar para a telona, seja com versões ruins de sucessos nos consoles.

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Eric Zambon

Pai da Olívia e dono de um espírito de tiozão. Aspiro, algum dia, ser o parente da piada do Pavê. Até lá, leio qualquer conto do Hemingway e de Bukowski em que consigo colocar as mãos. Sabe como é, leia os grandes para se tornar um deles. Outro dia escutei a discografia inteira do Arctic Monkeys e descobri que é horrível, então continuo à espera da reunião do Oasis.

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