‘Lovesick’, a série para quem já levou um pé na bunda

‘Lovesick’, a série para quem já levou um pé na bunda

Autor: 385

Se você está na faixa dos vinte e poucos anos, então é provável que já tenha se apaixonado pelo menos uma vez, levado alguns pés na bunda e até dado alguns foras. Você também já deve ter tido sua cota de amores platônicos e, hoje, deve estar pensando que, talvez, não teve sorte, porque né, essa coisa de amor é uma complicação só.

É por isso mesmo que você deve dar uma chance a ‘Lovesick‘, série pouco conhecida que antes era chamada de ‘Scrotal Recall’ – nome bem ruinzão mesmo. O seriado foi criado originalmente para a emissora britânica Channel 4 em outubro de 2014, foi cancelado após a primeira temporada no canal, mas logo foi resgatado pela Netflix. A série possui atualmente duas temporadas curtinhas, ambas disponíveis no catalogo do serviço de streaming. Por ter só seis episódios na primeira e oito na segunda, é possível ver tudo do início ao fim em, no máximo, dois dias. Enquanto assiste, você se identifica, ri e pensa que, caramba, a sua vida amorosa nem é tão complicada ou ruim assim. Sério, é uma terapia.

A história toda se baseia nas experiências de Dylan Witter (Johnny Flynn), um cara comum que descobre ter uma DST também comum: clamídia. Depois de uma consulta, sua médica sugere que ele contate as ex-namoradas que teve ao longo dos anos para que elas também façam um teste da doença. Dylan, então, decide ligar para as mulheres com quem fez sexo seguindo uma ordem alfabética.

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Cada episódio conta como Dylan conheceu e se envolveu com cada mulher e, ao mesmo tempo, revela um pouco sobre os relacionamentos amorosos dos amigos dele, Luke (Daniel Ings), Evie (Antonia Thomas) e Angus (Joshua McGuire). Logo no início dá pra perceber que existe uma paixão platônica entre Evie e Dylan, que Luke é o cara mais engraçado da série, que serve de alívio cômico quando as coisas começam a ficar meio dramáticas demais, e que o Angus tá meio perdido na vida e não tem muita coragem de dizer o que pensa para a própria noiva, uma mulher insuportável. Mas a série se mostra tão fofinha que o espectador logo perdoa as chatices dessa antipática.

Luke é, de longe, o personagem mais carismático, talvez por ser o mais caricato do grupo; ele é o pegador, um cara viciado em sexo. Apesar de ser garanhão em várias situações, ele não chega nem perto de ser um Barney Stinson, de ‘How I Met Your Mother‘, ou mesmo um Joey Tribbiani, de ‘Friends‘. Isso é, aliás, o mais legal desse seriado: não se trata de uma sitcom tradicional, com piadas prontas, risadas de fundo e coisas um pouco fora da realidade. Ele mostra o lado cômico de uma forma bem natural.

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Claro que tem umas cenas surreais que te fazem dar gargalhadas, como quando Angus experimenta cogumelos, tem alucinações no meio do supermercado e entra no freezer para se esconder do vendedor; a vez em que o Luke dança música irlandesa no aniversário de uma mulher que ele queria impressionar, e quando o Dylan aprende dinamarquês para se comunicar com sua ficante que, na verdade, é alemã. Mas, muito além disso, a história mostra também o lado frágil dos personagens e te faz ter uma ligação com cada um deles, inclusive com o mulherengo do Luke. A partir do episódio “Phoebe“, dá pra entender um pouco mais sobre o motivo de ele ser tão superficial.

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Ah, claro! Não dá pra deixar de falar de Jonno (Stephen Wight), um dos dates de Evie. Jonno, com aquela voz anasalada e com a aquela expressão de quem não tem noção do que está acontecendo na vida, é um personagem que te faz rir de tão esquisitão que é. Ele fala de si mesmo na terceira pessoa de um jeito tão, mas tão idiota, que acaba tornando tudo mais engraçado.

E, olha, a trilha sonora de ‘Lovesick’ é maravilhosa também, ainda mais se você gosta de pop/indie/eletrônica britânica. Ela já tá toda disponível no Spotify e pode ser acessada neste link.

Se você quer desestressar e passar o tempo, essa é a série pra você, meu amigo, minha amiga. ‘Lovesick’ é o tipo de programa que você nem bota muita fé nos primeiros minutos e, quando percebe, já assistiu tudo e está esperando ansiosamente pela terceira temporada.

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Bárbara Oliveira

Bárbara já foi jornalista, professora, tradutora e palhaça (no sentido denotativo e no conotativo também). Ri das coisas mais bobas e adora piada ruim. Sabe de cor as falas dos seus seriados e filmes favoritos, tem medo de boneca e não assiste a filmes de terror de jeito nenhum. Na verdade, até assistiria se oferecessem muito dinheiro. É sarcástica e meiga, por incrível que pareça. Sonha em ter um pug preto, gordo e bem vesgo. Gosta muito de chá.

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