Sete HQs da Mulher Maravilha que você PRECISA conhecer antes do filme

Sete HQs da Mulher Maravilha que você PRECISA conhecer antes do filme

Autor: 495

A princesa de Themyscira, guerreira amazona, embaixadora no mundo do patriarcado, herdeira mortal dos deuses gregos, co-fundadora da Liga da Justiça e super-heroína que você respeita ganhou, recentemente, mais um título para se gabar. Agora Diana é, também, a primeira personagem feminina dos quadrinhos a ganhar um filme solo – o que convida outros estúdios a, finalmente, darem espaço e visibilidade para a mulherada das HQs, ao mesmo em que chama as garotas para o que, até dia desses, era visto (erroneamente) como “coisa de menino”. Com estreia prevista para a primeira semana de junho, ‘Mulher Maravilha’ é uma das produções mais esperadas do ano – e para que você possa desfrutar da experiência em sua plenitude, o Uber7 listou sete HQs imperdíveis, tão maravilhosas quanto a personagem que lhes dá título, que vão te deixar afiado para o filme da heroína.

Criada no comecinho dos anos 40, época em que começavam a surgir as lutas por direitos igualitários, Diana foi uma das primeiras mulheres a conseguir espaço em meio à dominação masculina dos quadrinhos, servindo como um fator determinante e uma inquestionável inspiração para todas as super-poderosas que vieram depois dela. Não é somente por estar entre as pioneiras, contudo, que Diana de Themyscira é considerada um símbolo feminista. Para quem não sabe, a Mulher Maravilha foi criada por William Moulton Marston, um ativista declarado dos direitos humanos e do feminismo. Noutras palavras, a personagem foi construída especialmente para combater a ideia de que as mulheres eram inferiores aos homens e para educar uma nova geração de meninos, a fim de que eles aprendessem a viver em um mundo com mulheres fortes e independentes. Marston defendeu o direito feminino ao voto, casou-se com uma rebelde e não escondeu as opiniões libertárias e a sexualidade radical que adotavam em casa. Parte desses valores, aliás, foram imprescindíveis para a criação da heroína que conhecemos: uma princesa amazona que vai para os Estados Unidos advogar pela liberdade, democracia e independência feminina.

GalleryComics_1900x900_20141008_SENWW_003_Reis_RGB_541ca3b7296690.57399439 (1)

Foi para isso que a Mulher Maravilha foi criada e foi isso que ela se tornou: um símbolo feminino. Ela é fundadora da Liga da Justiça, líder das Amazonas e, em seus momentos de folga, quando não está chutando bundas e exibindo seus numerosos e invejáveis super-poderes, atua, ainda, como Embaixadora da Paz na ONU. Se há algo que você precisa saber antes do filme é que a Mulher Maravilha vem para representar uma nova fase da mulher – forte, independente, racional, astuta, guerreira, que se recusa a viver sob a ótica patriarcal e tão capaz quanto qualquer homem. Não por acaso, ela faz parte da trindade da DC Comics e é uma das personagens mais populares de todos os tempos, passando por incontáveis alterações ao longo dos anos, mas mantendo os valores originais que a tornaram tão querida e respeitada pelos fãs, como o amor, a justiça, a compaixão e a igualdade.

Ela faz jus ao ‘Maravilha’ que traz no nome, assim como esses sete quadrinhos – essenciais para quem deseja ir além do longa-metragem e conhecer um pouco mais da personagem (mas não sabe por onde começar).

1. Mulher Maravilha #1 (1942)

h-g-peters-wonder-woman-number-1-1942

Vamos começar pelo grande clássico – responsável por tudo que Diana Prince representa; aquele que abriu os trabalhos, lá em 1942, de forma incrivelmente competente. Primeira revista solo da heroína, a ‘Mulher Maravilha #1’ recontou, com toda uma precisão de detalhes, a origem da personagem e de seu povo; uma história que, tamanha a força da criação de William Moulton Marston, permaneceu imutável até o rebith da DC Comics, em 2011. No filme, vale mencionar, a guerreira amazona não terá nascido do barro, como conta essa versão dos anos 40, mas a leitura vale à pena, sobretudo quando pensamos que as 57 páginas da HQ não se contentam em trazer, apenas, um conto de origem padrão: o “piloto” da heroína conta com outras três histórias além do nascimento da Amazona; igualmente interessantes.

O segundo arco da HQ apresenta a personagem de Etta Candy (que também estará no filme) e mostra como a Mulher Maravilha, já naquela época, era a sua própria mocinha em perigo, se colocando em situações de risco e humilhação, mas sempre dando um jeito de salvar a própria pele. Ambientada nos anos 40, a HQ não escapa de explorar o ambiente da Segunda Guerra, onde será ambientado o filme de Patty Jenkins. No terceiro e quarto arco, Diana enfrenta espiões nazistas, lida com a sua primeira vilã recorrente e explora o território americano.

2. Deuses e Mortais (1987)

01a

Uma aclamada história de origem, apresentada nos anos 80 por George Perez e Greg Potter, que alinham de vez a história da guerreira amazona à mitologia grega, além de nos apresentar àquele que, até os dias de hoje, é o seu principal rival: Ares, o deus da guerra. Mais do que uma simples trama de fuga, com a já conhecida necessidade de sairmos do lugar em que estivemos a vida toda,Deuses e Mortais’ mostra o que acontece quando a inocência da Ilha Paradiso é confrontada pela realidade cruel do mundo dos homens. Com referências riquíssimas, tanto no texto de Potter quando no visual que remete à arquitetura da Grécia Antiga, a HQ é uma das melhores no acervo da Wonder Woman, com o tipo de história da qual é difícil desgrudar os olhos. Com ação do início ao fim, ‘Deuses e Mortais’ fala sobre hierarquia, divisão de tarefas, ódio humano, destruição, violência, separações e inimizades, sem deixar de adicionar uma ou outra noção de libido, ciúmes e demais traços amorosos.

Este é um quadrinho feito para olhar Diana com outros olhos e dar a ela toda a importância histórica que ela tem. Na trama contada, a heroína podia ter se escondido diante das dificuldades que se abriram em seu caminho, mas, aqui entre nós, não seria a Mulher Maravilha se o fizesse – e a HQ é bastante eficiente em apresentar sua força e sua obstinação em abraçar a o mundo insano que ela encontra lá fora.

3. O Círculo (2008)

Wonder_Woman_Vol_3_16

Uma das mais importantes HQs da nossa digníssima Wonder Woman, agora escrita por Gail Simone – esse serumaninho incrível, conhecido por escrever grandes histórias, para grandes personagens femininas. A intitulada ‘O Círculo’ condensa, melhor que todos os outros quadrinhos já publicados, a ideologia por trás da personagem: uma mulher justa, leal e resiliente, com uma força interior que consegue a façanha de superar a sua notória força física. Nas mãos de Simone, esses valores, que datam lá dos anos 40, são melhor exemplificados justamente por serem colocados em cheque, um a um, com o cenário desolador que a revista traz ao leitor.

Extremamente bem estruturada, a história consegue trazer à tona todos os elementos que tornam Diana Prince a grande heroína que ela é. Temos ali o cotidiano da amazona enquanto uma agente do Governo, sua existência como um presente dos deuses para a Rainha Hipólita, sua importância como um símbolo de esperança e otimismo para as Amazonas e todas as mulheres do mundo, seu relacionamento com a mãe e demais amazonas, pautados por uma lealdade e amor inabaláveis, e seu potencial inigualável como combatente. Se você ainda questiona o fato da Mulher Maravilha ser um dos grandes ícones feministas de todos os tempos, basta ler essa HQ que o posto ficará bem claro.

4. O Espírito da Verdade (2002)

mm-04

A combinação dos gigantes Alex Ross e Paul Dini não podia resultar em outra coisa senão um trabalho sensacional. Publicado aqui no Brasil em 2002, pela editora Abril, ‘O Espírito da Verdade’ carrega toda a essência da Mulher Maravilha, dentro e fora do universo ficcional da DC Comics. A trama deste excelente quadrinho é contada pela perspectiva da Princesa Amazona, que mesmo com seus feitos heroicos e gestos abnegados, não é bem vista no mundo dos homens. Constantemente julgada e cansada dos olhares tortos, ela se infiltra na sociedade, tentando levar uma vida um pouco longe dos holofotes e não sendo a Mulher Maravilha em tempo integral.

5. Sangue (2011)

81rwGvBAdvL

O nome, aqui, diz muito sobre todo o contexto da revista e do próprio rebith da heroína com a chegada dos Novos 52. Afinal de contas, o que Brian Azarello fez em ‘Sangue’, um dos melhores momentos de Diana em seus quase 80 anos de estrada, foi respeitar de maneira bastante razoável o que veio antes dele, sem deixar, contudo, de apimentar as coisas. O grande destaque da HQ é o relacionamento da Mulher Maravilha com Hipólita, que ganha novos rumos quando a heroína se descobre filha de Zeus – se tornando, assim, mais um fruto na longa lista de bastardos divinos, advindos das históricas puladas de cerca do Deus do Trovão. No filme, adaptado da realidade mais recente do Universo DC, o parentesco de Diana com Zeus também é mencionado, mas para quem deseja mais detalhes, esta é a revista que explica tudo.

A importância deste arco de histórias da Wonder Woman também é essencial em termos visuais. A personagem continua usando seu corset vermelho e continua linda de doer, mas os trajes aparecem mais adultos e condizentes com seu posto de guerreira. Com a arte de Cliff Chiang, as 139 páginas são um deleite para qualquer fã de quadrinhos.

6. A Lenda da Mulher Maravilha (2016)

the-legend-of-wonder-woman-1

Eis aqui uma das histórias mais redondas da Amazona, que mostra o melhor de sua personalidade guerreira, sem deixar de focar, também, nos aspectos mitológicos da sua história, focando, como poucas revistas da heroína, nos acontecimentos que transcorrem dentro da Ilha de Themyscira. Isso porque, com a hype gerada pelo filme, a DC se viu na obrigação de lançar uma HQ que, visualmente, fidelizasse os curiosos, mas mantivesse a linha que os fãs já conheciam e acompanhavam. Logo, para quem estranha o texto e a arte dos anos 40 e não faz ideia de onde começar um intensivo da heroína, um ponto de partida alternativo pode ser ‘A Lenda da Mulher Maravilha’, de 2016, que traz uma ótima ilustração, uma excelente história e, de quebra, é bastante acessível com seu formato digital.

Na HQ, partimos de uma premissa humana muito mais básica, com uma Diana mortal e mais sensível, com apenas 10 aninhos de idade – ou seja, ainda brincando e estudando na Ilha Paraíso, sonhando em ser uma guerreira. É claro que, como uma nova história de origem, a HQ perde pontos para quem já conhece a história da Amazona e suas variadas versões ao longo dos anos. Desta forma, o ponto forte é a ilustração impecável e a consistência da história, que exibe um lado muito mais vulnerável, mas não menos empoderado da nossa heroína.

7. Hiketeia

Wonder-Woman-the-Hiketeia4

Estar em um país estrangeiro, longe de seus costumes e tradições, não é fácil – mesmo que você, para todos os efeitos, tenha ido até lá no papel de embaixadora, disposta a pregar a filosofia das Amazonas com toda a paciência do mundo e difundir a paz entre os povos. Foi o que aconteceu com Diana, a nossa princesa guerreira. Nascida sob a severidade das Amazonas, que vivem praticamente sob a cultura da Grécia Antiga, e criada em um mundo sem referências masculinas, a heroína passou por um intenso e completamente justificado choque cultural ao dar de cara com a nossa realidade. Imaginem o quão estranho foi para a nossa heroína aportar em um lugar machista, ganancioso, materialista, corrupto e cheio de disputas?

Com tanta coisa ruim ao lado e a hostilidade sempre à espreita, uma hora a paciência acaba, a tal diplomacia deixa de fazer sentido e o que resta é, para a nossa alegria enquanto leitor, partir para a porrada. É esse cenário de choque cultural e os efeitos colaterais dele que fazem de ‘Hiketeia‘ um quadrinho obrigatório. Escrito por Greg Rucka, que roteirizou algumas das melhores fases do Batman, a HQ promove um embate moral épico, colocando a Mulher Maravilha e o Homem Morcego em lados opostos de uma batalha devastadora. Quem será que vence?

 

 

Compartilhe nas redes sociais:
Dandara Santos

Jovem-idosa, nerd aspirante a milionária e jornalista. Danda lê livros como terapia, assiste mais séries do que consegue, tem preferências musicais incompatíveis e vê no cinema uma segunda casa. Natural de Brasília, tem 24 anos num corpo de 16 - fato que tenta remediar, inutilmente, na base do fast food. Pseudo-hipocondríaca, viciada em listas e perfeccionista, sofre com a necessidade patológica de expressar sua opinião.

SAIBA MAIS SOBRE

Leia Também

Cinco heroínas dos quadrinhos e o feminismo por trás delas

Cinco heroínas dos quadrinhos e o feminismo por trás delas

Os casais mais marcantes dos quadrinhos

Os casais mais marcantes dos quadrinhos

Viúva Negra | O que esperar de uma franquia solo da espiã

Viúva Negra | O que esperar de uma franquia solo da espiã

Mulher Maravilha | Tudo o que nós sabemos sobre o filme da heroína (até agora)

Mulher Maravilha | Tudo o que nós sabemos sobre o filme da heroína (até agora)

Adicione Um Comentário.