Os casais mais marcantes dos quadrinhos

Os casais mais marcantes dos quadrinhos

Autor: 1.937

Nem só de tiros, porradas e bombas vive o universo dos quadrinhos. Além das rivalidades e alianças que, há mais ou menos 70 anos, movimentam as histórias dos heróis e vigilantes nas HQs, existe um elemento crucial nas tramas da DC e Marvel Comics, que, verdade seja dita, interfere diretamente no destino dos personagens – e que, por tabela, ainda deixam os Nicholas Sparks desse mundo um tanto quanto orgulhosos. Estamos falando dele, o bom e velho romance – ou, para os mais piegas, as épicas, tórridas e trágicas histórias de amor, que não pouparam nem mesmo o mais overpower e apelão dos herois. Se até o Superman, que nem desse planeta é, se propôs a mudar o status de relacionamento, o que dizer dos mutantes, dos vingadores, dos defensores, vigilantes, mocinhos e bandidos?

Pensando nisso, listamos alguns dos romances mais intensos, surpreendentes, conturbados, sólidos e verdadeiros da DC e Marvel Comics, dignos de um folhetim de novela, um açucarado romance hollywoodiano ou um trágico drama sem final feliz.

Preparem-se, pois como diria John Paul Young, “love is in the air…”

 

AQUAMAN E MERA

Bem sabemos que o Aquaman é um dos personagens mais sacaneados da DC Comics – e a aparição lastimável no desenho ‘Superamigos’ não ajudou em nada a reputação injusta que o heroi tem carregado nos últimos anos (que está prestes a mudar nos cinemas). Uma olhada mais aprofundada na história do Rei dos Mares, contudo, é suficiente para enxergá-lo com outros olhos. Afinal, Arthur Curry é um verdadeiro exemplo de líder, heroi e, claro, marido – e a Rainha Mera, ruiva poderosa, que o diga! Os pombinhos se casaram em ‘Aquaman #18’ e, como televisão não funciona em baixo d’água, trataram de encomendar logo o primeiro aquababy, que nasceu na edição #23. Desde então, Mera e Aquaman formam, possivelmente, uma das duplas mais sólidas de todo o universo dos quadrinhos – com uma pausa aqui e ali para os acessos de loucura de Mera após a morte do filho e sua partida provisória para outra dimensão, é verdade, mas que casal não tem seus problemas?

O fato é que: Arthur se mostrou um marido tão dedicado que até abandonou a liderança da Liga, na edição #243 da HQ, para cuidar do casamento (insira aqui o seu suspiro). Family first, ouviu, Reed Richards?

Do fundo do mar para os nossos corações, Aquaman e Mera.

 

DOUTOR ESTRANHO E CLEA

Um dos personagens mais poderosos do universo Marvel, Stephen Strange é também um homem comprometido. Clássica história de ‘raiva que vira amor’, o romance entre Doutor Estranho e a feiticeira Clea nasceu de uma inimizade familiar que Christina Rocha, do ‘Casos de Família’, adoraria usar como pauta. Isso porque, embora o tio da moça seja um dos maiores vilões do mago – e tenha uma cabeça flamejante – o casal superou os obstáculos e se transformou em uma das duplas mais poderosas dos quadrinhos, afinal, Stephen Strange é (apenas) o mago supremo da Terra e Clea é (somente) a soberana de uma dimensão da magia. Acham pouco?

Dr. Estranho e a esposa, Clea.

 

VAMPIRA E GAMBIT

Quem conhece a Vampira somente pelos filmes ou desenhos dos X-Men – como o criticado ‘X-Men Evolution’ – pode se surpreender ao saber que o grande amor da mutante, que apareceu pela primeira vez em 1981, não foi nem Bobby Drake e, tampouco, Scott Summers. Ainda que impossibilitada de ter um relacionamento normal em função de suas habilidades, a Rogue da Marvel Comics se apaixonou justamente por Gambit, o canastrão que flertava com todas e cujo passado romântico, aliás, não era nada fácil. A dupla se tornou um dos casais mais intensos – e polêmicos – dos quadrinhos, assim como, provavelmente, o mais mexicano de todos, uma vez que o processo sempre foi lentíssimo, cheio de percalços e complicado devido às limitações físicas da mutante (e à índole questionável de Remy, que, como suspeitamos desde o princípio, se revelou um traidor dos X-Men.

Vampira e Gambit, o casal mexicano nas HQs dos X-Men.

 

HOMEM ARANHA E GWEN STACY

O primeiro amor a gente nunca esquece – sobretudo quando ele acaba de forma trágica, como aconteceu ao jovem Peter Parker, que perdeu a namorada de forma precoce e traumática pelas mãos do Duende Verde. Gwen Stacy foi a garota mais bonita e popular da faculdade – e como nos típicos filmes adolescentes dos anos 90, o sonho de todo nerd desajustado. Afora todo o clima juvenil de “ódio que vira amor” e “rompendo barreiras sociais”, o relacionamento de Peter e Gwen sempre foi pautado por fortes emoções, entre elas a morte de George Stacy, a mudança da jovem para a Inglaterra e os planos de casamento que chegaram a assustar os criadores da HQ, que temiam um envelhecimento precoce do heroi. O romance, contudo, foi por água a baixo quando a garota foi jogada da Ponte do Brooklyn e, na vã tentativa de salvá-la, Peter joga a teia, que a puxa, mas quebra seu pescoço. A morte trágica da personagem deixou um buraco não somente no Homem-Aranha, mas em vários fãs dos quadrinhos, que ainda consideram Gwen Stacy o par definitivo de Peter. Mas…

Peter Parker no momento da morte de Gwen, sua primeira namorada.

 

HOMEM ARANHA E MARY JANE

Como o romance sempre andou de mãos dadas com a ação nos quadrinhos do Homem-Aranha, os criadores não tardariam a encontrar um novo amor para Peter Parker, desolado após a morte de Gwen. A segunda chance do jovem Aranha veio em forma de cabelos ruivos e nome composto: Mary Jane, a vizinha e futura Senhora Aranha, que, parafraseando uma roqueira baiana, “estava ali o tempo todo, só ele não viu”. Moderna mesmo após meio século de existência na Marvel e uma mocinha totalmente fora dos padrões convencionais, Mary Jane apareceu pela primeira vez em ‘The Amazing Spiderman #25’, em 1964, que fez todo um mistério sobre sua identidade. Seu flerte com o heroi, que data desde os primórdios do quadrinho, foi interrompido pela chegada de Gwen e, anos mais tarde, a chama foi reacendida. MJ, para os mais íntimos, foi pedida em casamento por Peter duas vezes e recusou porque era dessas – a personalidade da garota, a propósito, era tão forte que os criadores da HQ precisaram reformular seu histórico, lá nos anos 80, para que o casamento entre os dois fosse possível. E não é que deu certo?

Peter Parker e Mary Jane Watson.

 

CORINGA E ARLEQUINA

E eis a prova de que os loucos também amam. Para quem não sabe, Arlequina, capanga e namorada psicótica do Coringa, foi criada para ser uma personagem exclusiva do desenho ‘Batman: The Animated Series’, criado em 1992. A animação foi tão bem sucedida que, além de colecionar boas críticas e levar um Emmy para a casa, ainda fez com que a vilã fosse, oficialmente, introduzia nos quadrinhos do Homem-Morcego na DC Comics – até que em 2001 ela ganhou sua própria série, com 38 edições. Com a popularidade inquestionável desse casal de malucos, especialistas em vilanias e traquinagens, eles voltaram aos holofotes em ‘Os Novos 52’, como integrantes do ‘Esquadrão Suicida’. 

Para quem não sabe como o romance começou, vale lembrar que Harleen Quinzel se formou em psiquiatria (ou psicologia, variando de versão para versão) e conheceu Coringa no Asilo Arkham, quando ainda, para todos os efeitos, batia bem das ideias. Diferente dos romances tórridos e histórias de amor intrincadas, mas genuínas, que marcam algumas histórias em quadrinhos, Coringa e Arlequina tem um relacionamento totalmente abusivo. Após se apaixonar por seu paciente e libertá-lo, a jovem foi internada no hospício, onde teve início toda a sua transformação física e emocional por parte do vilão. Além de agredi-la, Coringa a construiu a seu bel prazer e se diverte tentando se desfazer da coitada, a clássica ‘mulher de bandido’, que tenta agradá-lo de todas as formas.

* Para quem não gosta do Coringa como namorado (e com toda razão) experimente pesquisar Arlequina e Hera Venenosa, casal pouquíssimo conhecido e que não chegou a vingar, mas que, olha… Sensacional.

O relacionamento complexo e abusivo de Coringa e Arlequina.

 

TEMPESTADE E PANTERA NEGRA

Aqui entre nós, Ororo não precisou ser desenhada com rostinho de Halle Berry para fazer sucesso também nos quadrinhos. Além das incríveis habilidades e da personalidade que a tornou apta a liderar tanto os X-Men quanto os Morlocks, Tempestade protagonizou um dos romances mais interessantes da Marvel. Em seus dias de aborrescente, no Quênia, a mutante conheceu um rapazote chamado T’Challa, com quem teve um rápido namorico e perdeu a virgindade. Cada um tomou seu rumo após o breve romance: ela, ocupada demais sendo uma X-Men fodona na cultura ocidental; ele, lá na África, se transformando no que hoje chamamos de Pantera Negra. Um reencontro parecia improvável, mas a vida, no entanto, é uma caixinha de surpresas… Quando Tempestade abandonou a escola de mutantes e voltou para seu continente de origem, ela reencontrou a antiga paixão no posto de Rei de Wakanda e o casal retomou o romance, com tudo que tinham direito. Ororo foi pedida em casamento, se tornou Rainha, combateu o crime ao lado do maridão e foi feliz para sempre – ou, pelo menos, até o dia em que se entediou com a realeza, cansou da vida de dondoca e abandonou Pantera Negra porque ‘não era obrigada’. Tempestade resolveu que, como Beyoncé, não ‘era só uma esposinha’ e voltou para os X-Men.

Tempestade e Pantera Negra, o Rei de Wakanda.

 

BATMAN E MULHER GATO

Bruce Wayne teve inúmeras peguetes – uma listinha modesta que inclui nomes como os de Silver St. Cloud, Sasha Bordeaux, Linda Page, Pamela Isley, Vesper Fairchild, Julie Madison, Talia Head, Shondra Kinsolving… (pausa para respiro) Vicki Vale, Kathy Kane, Lois Lane, Zattana Zatara, Jezebel Jet, Dinah Lance, Barbara Gordon e, entre tantas outras, a primeira e única Diana de Themyscira. E tudo isso, amigos, sem nem precisar de uma continha no Tinder.

Dentre todas as namoradinhas do Homem-Morcego, no entanto, a Mulher-Gato foi a mais marcante, inclusive por sua variada gama de versões ao longo dos anos. A tensão sexual entre a dupla surgiu nos anos 40, em ‘Batman #1’, mas foi só depois dos anos 90, com a personalidade de Selina Kyle cada vez mais próxima da realidade, que o casal conseguiu um espaço digno para o romance nos quadrinhos. Nas edições publicadas no início dos anos 2000, aliás, Batman decidiu começar um relacionamento sério com a anti-heroina, revelando a ela seu alter-ego e levando a aliança dos dois a um outro nível. O relacionamento também causou polêmica com a chegada do reboot, ou ‘Os Novos 52’ – afinal, o que dizer daquelas páginas no telhado, descritas em ‘Catwoman #1’, ein?

Batman e Mulher Gato fazendo um +18 para 'Catwoman #1'

 

CICLOPE E EMMA FROST

“Mas a Jean é muito melhor, mimimi”. Não, não é. E aceitem que dói menos.

Scott Summers e Jean Grey formaram o casal mais estagnado da Marvel Comics – uma dupla que não acrescentou em absolutamente nada um ao outro. Juntos, os dois zeraram os melhores traços de suas personalidades e as histórias que os incluíram só eram interessante individualmente. Um fiasco, sobretudo, se colocarmos Emma Frost na história, para fins de comparação. Para quem ainda duvida, aliás, Emma foi a diva absoluta dos X-Men: uma mulher de índole questionável e personalidade forte, líder nata e, como se não bastasse, mutante poderosíssima. O envolvimento do casal começou, oficialmente, após a morte de Jean, quando se tornaram diretor e co-diretora do Instituto. A partir de então, Emma despertou o melhor do líder que sempre existiu em Scott, o colocando para frente de forma extraordinária e o tornando bem mais sólido enquanto personagem.

Ciclope e Emma Frost, em X-Men

 

MULHER GAVIÃO E GAVIÃO NEGRO

Um príncipe egípcio e sua amada forjaram armas em um metal alienígena – elemento que, combinado ao amor do casal, fortaleceu suas almas e a ligação entre elas, de maneira que suas futuras encarnações estivessem fadadas a encontrar uma à outra e se apaixonarem. Essa poderia ser a trama uma novela espírita ou uma música do Fábio Junior (ou, ainda, mais um plot ruim de ‘The Vampire Diaries’), mas, para quem não sabe, ela é, na verdade, a primeira versão da Mulher Gavião, que foi inteiramente construída em cima de uma história de amor. O casal Shiera e Carter foram parceiros de muitas vidas na DC Comics, em um romance que começou no Egito antigo, passeou pela idade média, visitou o século XIX e marcou os fictícios anos 40 dos quadrinhos, naquela que, hoje, é a mais conhecida reencarnação dos personagens. Gavião Negro e Mulher Gavião, aliás, são um casal inspirador no universo sombrio da DC: eles tiveram um filho, lutaram por justiça, morreram, ressuscitaram e estão aí, como a prova de que crise dos sete anos é bobagem…

Carter (Homem Gavião) e Shayera (Mulher Gavião)

 

DEMOLIDOR E ELEKTRA

Tudo bem que Elektra não tenha sido, exatamente, o relacionamento mais saudável ou duradouro do nosso querido Matt Murdock, que passou a maior parte de sua jornada na Marvel Comics atrelado a um romance de idas e vindas com Karen Page. Elektra, no entanto, foi o primeiro amor e a paixão mais intensa do vigilante – uma combinação explosiva que, até hoje, passeia pelo imaginário dos leitores mais saudosos. O que sabemos é que, juntos, a ninja assassina e o demônio de Hells Kitchen formaram um casal tão marcante que é impossível não associar os dois, mesmo após o término ou as inúmeras contribuições de Elektra para o lado negro da Força, quando a ninja resolve vender seus dotes violentos ao Rei do Crime. Ainda assim, shipamos Delektra até o fim.

#Delektra Forever

 

SUPERMAN E LOIS LANE

E eis o casal mais clássico dos quadrinhos – uma história de amor que começou, pasmem, ainda nos anos 30. Lois e Clark levaram, literalmente, o trabalho para a casa, afinal, como toda jornalista, Lois é pau para toda obra: ela foi colega, concorrente, interesse amoroso, namorada, esposa, mãe de seus filhos, aliada e, por incontáveis vezes, alvo dos vilões que tentavam atingir o Homem de Aço. Não podemos negar que Lois foi o maior elo do Superman com a humanidade, sempre reforçando a importância desta e tornando a terra um lar para o kriptoniano. A união dos dois foi oficializada em 1996, quando Lois se tornou a Sra. Kent, e o casal teria permanecido imbatível não fosse a chegada de um certo reboot na DC Comics

O casamento de Lois e Clark

SUPERMAN E MULHER-MARAVILHA

Embora Clark Kent tenha sido apaixonado por uma jornalista mortal durante, praticamente, toda a sua trajetória na DC Comics, um romance do kriptoniano com Diana de Themyscira sempre foi sugerido e ensaiado em sonhos e realidades alternativas, indo e vindo no imaginário dos fãs. Em 1996, por exemplo, na graphic novel intitulada ‘Kingdom Come’, Diana ajuda Clark a superar a morte de Lois Lane, assassinada por Coringa em um universo paralelo, e os dois firmam um romance, do qual, aliás, nascem cinco poderosinhos. Na realidade oficial, a DC Comics também flertou com a possibilidade de reunir a dupla – e não foi apenas uma ou duas vezes. O super afeto (ou amizade colorida) entre Superman e Mulher Maravilha foi evidenciado na ‘Action Comics #600’, na intitulada ‘For the Man Who Has Everything’, na ‘Action Comics #761’ e na ‘Wonder Woman #300’. Mas nada de o casal engatar…

Até que surgiu ‘Os Novos 52’, onde Clark Kent está solteirão, livre e desimpedido. Ou seja, a DC Comics estava, finalmente, livre do receio de transformar seu principal herói e exemplo de moralidade em um adúltero ou divorciado. A possibilidade, então, se tornou um fato – e um fato que funcionou tão bem quanto o esperado. Clark e Diana construíram um relacionamento sólido, com uma dinâmica interessantíssima e, claro, invencível.

Polêmicas de 'Os Novos 52' - Diana e Clark como um casal

 

MENÇÕES HONROSAS: Lanterna Verde e Safira Estrela, Constantine e a Zattana, Homem-Formiga e Vespa, Canário Negro e Arqueiro Verde, Reed e Sue Richards, Hulk e Caiera, Surfista Prateado e Nova, Feiteiceira Escarlate e Visão (que não faz o menor sentido), Asa Noturna e Oráculo, Ravena e Mutano, Mística e Azazel.

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Dandara Santos

Jovem-idosa, nerd aspirante a milionária e jornalista. Danda lê livros como terapia, assiste mais séries do que consegue, tem preferências musicais incompatíveis e vê no cinema uma segunda casa. Natural de Brasília, tem 24 anos num corpo de 16 - fato que tenta remediar, inutilmente, na base do fast food. Pseudo-hipocondríaca, viciada em listas e perfeccionista, sofre com a necessidade patológica de expressar sua opinião.

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