One More Light | O lado pop do Linkin Park

One More Light | O lado pop do Linkin Park

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Ficha técnica

One More Light | O lado pop do Linkin Park

Título: One More Light
Artista: Linkin Park
Lançamento: 19 de maio de 2017
Gravadora: Warner Bros. Records
Gênero: Pop Rock
Duração: 35 min
Faixas: 10

Avaliação Uber7

One More Light’ é o novo álbum do Linkin Park e, para desagrado de muitos fãs, é o trabalho mais pop que o grupo já fez até hoje. Não adianta bater o pé, espernear, gritar ou chorar: Chester Bennington, Mike Shinoda e cia. não estão mais na vibe pesada que os consagrou como uma das melhores bandas de nu metal dos anos 2000.

Logo na abertura do novo álbum já fica claro que o tom de tudo o que vem adiante é mais leve. ‘Nobody Can Save Me’ é um convite tanto a novos públicos, talvez não muito simpáticos à barulheira que eram os primeiros hits da banda, quanto aos fãs antigos que estejam dispostos a se permitir novas experiências.

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Hip hop de sempre

Nos primeiros anos de sucesso, o Linkin Park se notabilizou por misturar o rock pesado com hip hop – depois adicionou elementos eletrônicos e virou algo totalmente novo na primeira década do século XXI. Essa herança é sentida em ‘Good Goodbye’, que junta os elementos do rock com trechos de rap – dessa vez, na companhia de dois nomes “da moda”: Pusha T e Stormzy. A presença deles parece muito mais uma estratégia para entrar nesse mundo mais comercial do que uma necessidade musical (o que não compromete em nada o resultado, pois esta é uma das melhores faixas do álbum).

Já ‘Talking to Myself’ tem uma pegada que músicas como ‘Shadow of the Day’ (Minutes to Midnight, 2007) já carregavam anos atrás, com um pé nas baladas pop rock. O refrão é agradável e tem uma baita cara de que vai ganhar pelo menos uma versão alternativa remixada – e, ao vivo, acaba sendo uma das mais divertidas (ela foi tocada no Maximus Festival, que aconteceu em São Paulo na semana anterior à estreia).

Battle Symphony’ é uma das faixas que mais lembram os trabalhos antigos do Linkin Park, abusando dos vocais de Chester e combinando sintetizadores de forma característica da banda. Se o conjunto da obra vai deixar alguns fãs insatisfeitos, ‘Battle Symphony’ é um indicativo de que o rock ainda está correndo nas veias do grupo.

O som mais baixo e os vocais de Mike Shinoda em ‘Invisible‘ se assemelham muito mais às faixas de ‘A Thousand Suns’ (2010) do que às da “fase Meteora” (2003). Uma pena que, assim como observado em ‘Sorry For Now’, as músicas ficam muito parecidas quando Mike assume os vocais e não existe o elemento preponderante de hip hop. ‘Halfway Right’ também sofre com isso são as faixas mais esquecíveis das dez (‘Invisible‘ tem o diferencial de ter sido lançada como single, aumentando razoavelmente seu alcance).

Enquanto isso, ‘Heavy‘ trouxe uma voz feminina nova às composições do Linkin Park: Kiiara. A jovem americana tem apenas 21 anos e traz um contraste interessante com o conhecidíssimo tom de Chester. Esta não apenas parece ter sido feito para rádios, como já figurou lá semanas antes do lançamento do álbum – foi o primeiro single lançado para divulgar ‘One More Light’.

One More Light‘, que dá nome ao disco, é uma faixa muito bonita e deve entrar no rol de músicas que chamam mais atenção pela agradabilidade do que pela capacidade de grudar nos seus ouvidos. Outras canções têm essa cara, como ‘Leave Out All The Rest‘, ‘In Between‘ e ‘The Little Things Give You A Way‘ (Minutes to Midnight, 2007), ‘Robot Boy‘ e ‘Iridescent‘ (A Thousand Suns, 2010)

Com ‘Sharp Edges‘, o álbum é fechado e fica marcado a ferro o novo estilo assumido pela banda.

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Linkin Park pop: surpresa ou já esperado?

As aventuras pelo pop não deveriam ser uma surpresa por se tratar de Linkin Park. O experimentalismo sempre marcou o grupo, desde o início da carreira. Em 2002, quando foi lançado ‘Reanimation‘, remixes das consagradas músicas do ‘Hybrid Theory‘ (2000) atribuíram a hits como ‘Points of Authority‘, ‘One Step Closer‘ e ‘Crawling‘ uma roupagem totalmente inovadora.

Em 2004, já com ‘Meteora‘ lançado no ano anterior, a banda arriscou um álbum inteiro de hip hop, combinando as próprias canções com trechos de músicas de Jay-Z. A parceria com com o rapper foi assustadoramente bem sucedida e até hoje eles relembram alguns dos maiores sucessos em seus shows. A partir de ‘Minutes to Midnight‘ (2007) as experiências começaram a flertar com o pop, aparentemente atingindo seu auge com ‘A Thousand Suns‘ (2010) – mas, a esta altura, um bocado de fãs já havia abandonado os lançamentos e só conheciam Linkin Park pelo que foi feito dali para trás.

Os álbuns subsequentes retomaram parte do que se julga ser o “Linkin Park de verdade”, mas ‘One More Light‘ deve receber uma nova enxurrada de críticas pelo caráter diferenciado que assumiu. De fato, este não é nem de perto um dos melhores discos da banda, mas é o risco que se corre. Corajoso se aventurar em terras diferentes? Claro! Mas até dominar esse novo mercado, o Linkin Park vai penar um pouco.

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Filipe Rodrigues

Jornalista, apaixonado por futebol, nerd e leonino. Apesar de acompanhar tudo o que acontece no mundo dos esportes, escolheu o universo das nerdices pra dedicar seu tempo produtivo e criativo. Gosta muito de Superman; entre Vingadores e X-Men fica com os mutantes; adora coisas nostálgicas como Digimon, Power Rangers e Dragon Ball; e seu filme favorito agora é Mad Max: Estrada da Fúria!

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