Uber Class | Na prática, o que é um MacGuffin?

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Autor: 680

Já ouviu falar que um ou outro filme se utilizou de um MacGuffin para fazer a história andar? Esse termo é um pouco difícil de explicar e, talvez por isso, não seja muito conhecido pelo grande público. Em linhas gerais, trata-se de um objetivo – um objeto desejado – que faz a trama caminhar.

O termo foi criado por Alfred Hitchcock e designa algo que motiva as ações dos protagonistas, fazendo a história seguir adiante. Esta “coisa” pode não ter importância mesmo desde o início, ou ela pode perder a relevância quando finalmente é encontrada. Geralmente, trata-se de um objeto muito poderoso ou uma pessoa que causa uma perseguição, mas pode ser também algo abstrato, como o senso de amor ou justiça.

Certa vez, perguntado em uma entrevista pelo cineasta François Truffaut sobre o conceito, Hitchcock respondeu:

A principal coisa que aprendi ao longo dos anos é que MacGuffin não é nada. Estou convencido disso, mas acho muito difícil de provar para os outros. Meu melhor MacGuffin, e por isso eu quero dizer o mais vazio, o mais não-existente e mais absurdo, é um que usamos em ‘North by Northwest’ (‘Intriga Internacional’, no Brasil). O filme é sobre espionagem e a única questão levantada na história é descobrir o que os espiões estão procurando. Bom, durante a cena no aeroporto de Chicago, um agente de Inteligência explica toda a situação para Cary Grant, e Grant, se referindo ao personagem de James Mason, pergunta:

– O que ele faz?

Enquanto o agente responde: ‘Digamos que ele é um importador e exportador’.

– Mas o que ele vende?

– Oh segredos de Estado!

Aqui, veja, o MacGuffin é reduzido a sua expressão mais pura: completamente nada!

Como o próprio Hitchcock disse, é difícil explicar o que é essa ferramenta. Então, pulando a parte teórica do problema, fica muito mais fácil de se entender a partir de exemplos. E são muitos filmes famosos que utilizaram esse recurso.

Alfred Hitchcock MacGuffin

 

MacGuffin na prática

O MacGuffin mais famoso de toda a história do cinema está em ‘Cidadão Kane‘ e é conhecido como Rosebud. Este nome foi a última palavra que o magnata das comunicações Charles Foster Kane teria dito em seu leito de morte, e era apenas um trenó ligado a uma memória de infância. A obra de Orson Wells deu bastante valor a este aspecto do roteiro, mas, no fim, não era nada realmente relevante e não influenciava na história.

Outro exemplo clássico está em ‘Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida‘. O herói tinha que correr contra o tempo para encontrar o tesouro que dá nome ao filme antes que os nazistas o fizessem. Quando finalmente chega o grande momento e os nazis abriram a Arca, descobriu-se que ela era uma arma impossível de ser usada. No fim das contas, ela foi apenas a desculpa para toda a narrativa se construir, mesmo perdendo totalmente a usabilidade quando encontrada.

Indiana Jones MacGuffin

 

Mais alguns exemplos? Vamos lá.

O Resgate do Soldado Ryan‘: a grande missão de todos aqueles soldados era resgatar o “Private Ryan” (Matt Damon). Em um ambiente de guerra, onde as esperanças são rasas e qualquer traço de humanidade entre os companheiros se torna um grande fator de motivação, salvar Ryan era a missão da vida dos personagens apresentados inicialmente. Porém, ao resgatar o colega, eles descobriram que a luta pela sobrevivência estava, na verdade, longe de terminar. Dessa forma, o Soldado Ryan funcionou como um MacGuffin.

Pulp Fiction‘: a maleta do filme de Quentin Tarantino foi a causa de vários encontros, desencontros, mortes e doideira. Porém, em momento algum foi mostrado o que tem lá dentro. John Travolta e Samuel L. Jackson apenas foram incumbidos da missão de recuperá-la, o que foi suficiente para mover a trama a diante.

Star Wars: Episódio IV‘: os planos da Estrela da Morte foram o principal motivo para Obi Wan pegar Luke e partir, para a Aliança Rebelde ficar pulando de planeta em planeta e para o Império sair destruindo tudo o que via pela frente. Mas já parou para pensar que os planos em si quase não são explorados ou mostrados em tela?

 

Conclusão

Você pode dizer “mas os planos da Estrela da Morte são essenciais para a história! Eles não são irrelevantes”. E com razão. O MacGuffin existe, portanto, quando existe um elemento assim e a jornada se torna mais importante que o objetivo – e esse objetivo é algo específico. Em 2017, ‘Blade Runner 2049‘ caiu nessa. O fato de replicantes terem se reproduzido de forma biológica foi o principal plot da história, mas, no fim, o “quem” foi muito mais importante do que o “como”.

No fim das contas, o MacGuffin não é bem visto em Hollywood por representar certa preguiça na hora de amarrar as pontas e fechar o roteiro de forma mais complexa. Hitchcock criou e popularizou o seu uso, mas convenhamos, só existiu um Hitchcock…

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Filipe Rodrigues

Jornalista, apaixonado por futebol, nerd e leonino. Apesar de acompanhar tudo o que acontece no mundo dos esportes, escolheu o universo das nerdices pra dedicar seu tempo produtivo e criativo. Gosta muito de Superman; entre Vingadores e X-Men fica com os mutantes; adora coisas nostálgicas como Digimon, Power Rangers e Dragon Ball; e seu filme favorito agora é Mad Max: Estrada da Fúria!

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