Top 7 | Conexões entre filmes que você (provavelmente) não percebeu

Top 7 | Conexões entre filmes que você (provavelmente) não percebeu

Autor: 213

Em 1964, na primeira edição das histórias do ‘Demolidor‘, o jovem herói de Hells Kitchen, Matt Murdock, adquiriu sua notória sensibilidade sobre-humana ao evitar que um idoso fosse atropelado por um caminhão desgovernado. Ao salvar o homem mais velho do impacto, em um impulso, o garoto foi atingido no rosto por um resíduo radioativo, que afetou, tanto literal quanto metaforicamente, a sua visão do mundo. O que a Marvel Comics não esperava é que uma brecha em seus direitos autorais fizessem desta uma dupla história de origem: Kevin Eastman e Peter Laird, que nada tem a ver com a editora, decidiram homenagear o famoso demônio de Hells Kitchen em seu próprio produto – que você, aliás, conhece muito bem.

Calma que a gente explica! Em uma outra história em quadrinhos, lançada em 1984 pela Mirage Comics, vimos esse mesmíssimo incidente ser contado por uma perspectiva diferente, mas não menos interessante. Após atingir o rosto de Matt, o futuro Demolidor, a carga contaminada escorregou por um bueiro rumo aos esgotos de Nova York, onde uma caixa com quatro tartaruguinhas repousava de forma despretensiosa. O conteúdo radioativo se derramou sobre a caixa, dando origem ao grupo de heróis mais popular dos anos 80, formado por Raphael, Michelangelo, Leonardo e Donatello: ‘As Tartarugas Ninja’.

O melhor desse universo compartilhado é que ele não é uma exclusividade da Marvel e da Mirage, apenas. Muitos podem desconhecer a relação, mas aqui entre nós, seja de forma intencional (como ferramenta promocional, continuação, spin-off e pegadinha) ou homenagem a outras histórias, vários filmes mostraram uma conexão inesperada ao longo dos anos – algumas divertidas, outras bizarras e até aquelas que, de tão intrincadas, confirmam planos geniais e duradouros dos diretores que nós tanto respeitamos.

No Top 7 de hoje, te convidamos a conhecer alguns dos melhores universos compartilhados do cinema, com conexões que você, talvez, nunca tenha reparado – mas que vão te deixar maluco, procurando ligações até mesmo onde não tem. Preparados?

7. ‘Pequenos Espiões’ (2001) e ‘Machete’ (2010)

De um lado, um típico filme para a família; daqueles que papai e mamãe alugam para a criançada numa tarde de sábado – e os pequenos gostam tanto que, além de reprisar, decidem na mesma hora que vão ser agentes secretos mirins. Simples assim. De outro, a história de um ex-agente federal badass em solo mexicano, contratado para cometer um assassinato e envolvido numa trama de vingança. Qual é a probabilidade desses dois filmes, completamente opostos em gênero e classificação indicativa, estarem conectados? No universo maluco de Hollywood, acreditem se quiser, muitas!

Dirigido por Robert Rodriguez, o filme ‘Pequenos Espiões‘ ficou famoso no comecinho dos anos 2000 por contar a história de Carmen e Juni, filhos de um casal de super agentes internacionais. Para resgatar os pais, desaparecidos após uma missão fracassada, as duas crianças precisam de coragem e, claro, da ajudinha de algumas bugigangas e acessórios tecnológicos, companheiros indispensáveis de qualquer bom espião. Os equipamentos, aliás, podem ser adquirimos na loja de um sujeito chamado Machete Cortez, um agente aposentado, com jeitão mexicano, vivido pelo ator… Danny Trejo?

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Não é uma simples coincidência, meus caros. O Machete em questão, pasmem, é justamente aquele que protagonizou o filme homônimo de 2010, também dirigido por Robert Rodriguez. No longa de ação, desta vez direcionado a um público bem mais velho (que talvez nem conheça ou se lembre da história que originou o personagem, nove anos antes), temos tiros de verdade, cartéis de drogas, vingança, morte e um bang bang que deixa a aventura dos espiões mirins com carinha de Discovery Kids. Enquanto o Tio Machete foi totalmente subutilizado no filme de Carmen e Juni, em seu solo ele consegue uma recepção acima da média, com 60% de aprovação no Metacritic e um espacinho para chamar de seu na lista dos agentes fodões que já passaram pela telinha.

O crossover entre os universos ficou tão consolidado que o tio Machete apareceu nos quatro filmes da franquia ‘Spy Kids’ e ainda trouxe algumas referências de lá para as suas aventuras no mundo adulto. Em ‘Machete Kills’, sequência do filme de 2010, tanto a atriz Alexa Vega quanto o papai espião vivido por Antonio Banderas dão o ar de sua graça – o que, apesar de ligar de vez os dois universos, nos faz questionar a linha cronológica proposta por Rodriguez. De qualquer forma, taí uma conexão que vale à pena relembrar e reprisar. Afinal de contas, quem não queria usar uns acessórios daquela loja do Tio Machete, não é, não

6. ‘Tarzan’ (1999), ‘Enrolados’ (2010) e ‘Frozen’ (2013)

Nós já sabemos que todos os filmes do universo Pixar estão conectados de alguma forma, mas e as animações da Disney? Quem achava que não, surpresa: uma teoria mostra que ‘Frozen‘ e ‘Enrolados‘ podem ter mais em comum do que, simplesmente, a empresa fundadora.

Sucesso entre a criançada em 2013, ‘Frozen‘ nos trouxe a história das irmãs Elsa e Anna, que se uniram numa jornada emocionante para quebrar a maldição de inverno eterno do reino em que viviam. Com a missão bem sucedida, o filme termina com a coroação da rainha Elsa e… Espera… Quem são aqueles ali, bem no cantinho? A gente não os conhece de algum outro filme?

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Indícios nos levam a crer que sim, nós conhecemos. Uma rápida imagem, que acompanha o caminhar de Anna entre os convidados da festa, mostram duas pessoas bem conhecidas pelos fãs de animação: a princesa Rapunzel e seu marido, Flynn Rider, do filme ‘Enrolados‘, de 2010. Esta poderia ser só uma forma que a Disney encontrou para homenagear e referenciar sua longa lista de personagens, mas uma teoria que ganhou força na internet sugere que a aparição do casal em ‘Frozen‘ significa mais que isso – e não se limita apenas a esses dois filmes. Vamos a ela?

Os pais de Elsa e Anna, reis de Arendelle, segundo Chris Buck, o big boss da Disney, sofreram um naufrágio durante uma viagem. As meninas, aliás, não eram as únicas herdeiras do reino, vejam só vocês! Segundo o próprio Buck, havia também um garotinho, ainda recém nascido, que acabou sendo vítima do desastre junto com os pais. Após sobreviver ao naufrágio, a pequena família chegou a uma ilha deserta, onde construiu uma casa sob as árvores para se proteger dos perigos da mata. Os reis de Arendelle, pais de Elsa e Anna, no entanto, acabaram não sobrevivendo a um ataque de leopardo, deixando o terceiro herdeiro sozinho na ilha – um pedacinho de gente que só permaneceu vivo graças aos cuidados de (adivinhem) uma família de gorilas. Qualquer semelhança com o filme ‘Tarzan‘, clássico de 1999, não é mera coincidência nos planos da Disney, mesmo que a possibilidade venha acompanhada de uma série de falhas lógicas (os pais do Tarzan, por exemplo, não eram ingleses? A ilha não ficava na África?).

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De qualquer forma, fica a pergunta: seria a realeza algo tão inerente à genética desta família que enquanto a nossa querida Elsa reina sobre uma terra congelada e Anna reina sobre os nossos corações, Tarzan, o caçulinha da família, virou o Rei da Selva?

Falando na realeza, onde a Rapunzel se encaixa nesse emocionante episódio do ‘Casos de Família’, não é mesmo? A teoria especula o destino dos reis de Arendelle ao embarcarem naquele navio e deixarem as duas meninas para trás. De acordo com a mesma, a presença do casal na coroação da rainha reforça a ideia de que o motivo da viagem dos governante de Arendelle foi, justamente, o casamento de Rapunzel e Flynn. A cronologia, aqui, também faz sentido: após as mortes do rei e da rainha, o filme diz que três anos se passaram – e só para lembrar, o filme ‘Enrolados‘ foi lançado três anos antes de ‘Frozen‘.

Disney, sua espertinha…

5. ‘Psicopata Americano’ (1987) e ‘Regras da Atração’ (2002)

Lançado na segunda metade dos anos 80, sob direção de Mary Harron, Psicopata Americano’ é, simplesmente, um dos maiores thrillers psicológicos da história do cinema. A trama acompanha a trajetória de Patrick Bateman, um perigoso serial killer, protegido pela cor da pele, conta bancária e uma série de privilégios sociais. A sede de sangue do personagem nasce de uma inveja doentia, que o acomete sempre que alguém parece ter algo melhor que ele, ainda que seja um simplório cartão de visitas. É essa psicopatia de Bateman que dá o tom violento de ‘Psicopata Americano’, filme que consagrou o ator Christian Bale, chocou os anos 80 e se tornou um dos filmes obrigatórios para os amantes de cinema.

A pergunta que fazemos, no entanto, é: como um filme tão bom pode estar conectado a um tão fraco?

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Com o eterno Dawson Leery no elenco, o longa ‘Regras da Atração‘ trouxe, em 2002, um outro Bateman para as telonas – este, por sua vez, igualmente egoísta, rico e obsessivo. Ambientada nos anos 80, a história se passa em uma faculdade inglesa, na qual se desenrola um perigoso triângulo amoroso – que como todos os suspenses sensuais de pegada juvenil de Hollywood, não acaba nada bem. Além do apático James Van Der Beek, que por algum motivo misterioso foi o escolhido para dar vida ao protagonista, o filme trouxe uma versão mais nova de Ian Somerhalder, Jessica Biel e Kate Bosworth – que, juntos, compõe um time um tanto quanto despreparado para convencer o espectador num suspense inspirado na obra de Bret Easton Ellis.

E quem é esse cara, vocês perguntam? Pois permitam-nos apresentá-lo: Bret, para os mais íntimos, é autor dos livros ‘As Regras da Atração’ (1987) e ‘Psicopata Americano’ (1991), sendo, portanto, o pai desses dois Batemans canalhas e vazios que existem na literatura – e, claro, no cinema. Com diretores diferentes e lançados em épocas completamente distintas, os dois longas aqui descritos não são sequenciais e independem um do outro para fazer sentido, sobretudo por serem direcionados a tipos específicos de público. Ainda assim, os dois filmes estão inseridos no mesmo universo e compartilham de uma conexão que chega a ser sanguínea: o mimado Sean de ‘Regras da Atração’ é ninguém mais é ninguém menos que o irmãozinho caçula do psicopata Patrick. Que genética, ein?

4. ‘Jackie Brown’ (1997) e ‘Irresistível Paixão’ (1998)

Um é um dramão policial, o outro é uma comédia romântica, com Jennifer Lopes em um dos papéis de destaque. De um lado, o sanguinário Quentin Tarantino; do outro, Steven Soderbergh, um dos maiores indicados pela academia em premiações. O primeiro filme teve um orçamento de US$ 12 milhões de dinheiros enquanto o segundo bateu US$ 48 milhões na folhinha de custo. Um se chama ‘Jackie Brown’ e combina com mostras de cinema de cult, enquanto o outro, com um ‘Irresistível Paixão‘ no título em português, bem poderia ser confundido com um soft porn à lá ‘Cinquenta Tons de Cinza’.

É claro que um olhar comparativo entre os dois filmes, em um primeiro momento, pode parecer sem sentido, mas fica a dica: pesquisem um pouquinho antes de dizer que ‘Jackie Brown‘ e ‘Irresistível Paixão’ não tem nada em comum. A pesquisa, aliás, não precisa ser longa: basta lançar, apenas, um olhar sobre a lista do elenco e respectivos personagens que… Olá, Michael Keaton, tudo bem com você?

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Não basta, apenas, estar nos dois filmes: o premiado ator da Pensilvânia interpreta, em ambos, o papel de Ray Nicolette, um agente da ATF. No filme de Tarantino o policial intercepta a personagem de Pam Grier assim que ela pisa nos Estados Unidos, ficando em posse do dinheiro e das drogas que a protagonista levava sem saber. Com o desenrolar da trama, o agente é enrolado, tapeado e lesado por Jackie, que se passa por uma agente dupla tanto para os mocinhos quanto para os bandidos, bolando um plano alternativo para enganar os grandões e favorecer a si mesma. Em ‘Irresistível Paixão’ Nicolette volta, em um papel de menor destaque, o que faz certo sentido quando pensamos que ambas as histórias foram adaptadas de obras do escritor norte-americano Elmore Leonard.

3. ‘Prometheus’ (2012) e ‘Blade Runner’ (1982)

Com Prometheus’ no título estamos sendo relativamente modestos. O que existe aqui é uma referência que une de maneira inusitada toda a franquia ‘Alien’ ao famoso caçador de androides de Harrison Ford. Noutras palavras, uma referência que pode vir a transformar, num futuro próximo, as duas maiores crias de Ridley Scott em uma só ‐ e se a simples familiaridade fez sua mente explodir, prezado fã, imagine o que essa combinação não faria na prática.

Como explicamos direitinho em uma outra ocasião, ‘Prometheus’ é um prelúdio da franquia dos xenomorfos, que acumulou um número maluco de fãs entre os anos 1979 e 1997. O que nós não explicamos (ainda) é que esta não foi a única franquia bem sucedida do diretor Ridley Scott, que deu mais um personagem emblemático para a cota riquíssima de Harrison Ford, ator que já tem a cultura pop na mão com seu Indiana Jones, Han Solo e Rick Deckard. Este último é quem comanda a ação no clássico ‘Blade Runner’, de 1982, que nos apresenta uma Los Angeles futurística, na qual é tendência se aventurar por outros planetas. O trabalho do personagem é rastrear os replicantes e “aposentá‐los” na marra, o que o coloca, para variar, no meio de uma treta imensa.

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Que a história tem uma semelhança ou outra com ‘Alien’ nós podemos imaginar, mas que os dois fariam parte do mesmo universo compartilhado acabou pegando muita gente de surpresa. A novidade veio no Steelbook Edition do blu‐ray britânico, que mostra uma mensagem de Peter Weyland sobre seu falecido mentor, líder de uma grande corporação, que lhe disse para abandonar os “brinquedos” e se tornar um novo Deus. Segundo as palavras de Weyland, seu mentor estaria no topo de uma pirâmide com vista para a cidade dos anjos, mas ao replicar a criação de uma forma não original, tentando, simplesmente, copiar o Todo Poderoso, ele acabou se dando mal. “Eu sempre sugeri que ele escolhesse a robótica ao invés daquelas abominações genéticas que ele escravizava fora da Terra, embora sua ideia de implantar memória neles fosse bem divertida”, afirma Peter no textão. Quem não assistiu ‘Blade Runner’ e não pegou a referência: o mentor em questão é, claramente, Eldon Tyrell, o papai dos replicantes.

2. ‘Star Wars’ (1999) e ‘E.T.’ (1982)

Pense nos dois filmes sobre alienígenas que você mais respeita. Pensou? Agora imagine que esses dois filmes compartilharam do mesmo universo o tempo todo e você nunca suspeitou. Pois bem, senhoras e senhores. O mind blowing que vocês tiveram é equivalente ao que os fãs de ‘Star Wars’, filme do George Lucas, e ‘E.T.’, clássico do Steven Spielberg, costumam sentir ante a possibilidade dos dois longas estarem inseridos no mesmo universo. As provas, neste caso, não são das maiores e tampouco das mais confiáveis, mas como aprendemos com a Xuxa, lá no comecinho da década de 90, com ‘Lua de Cristal’, tudo pode ser ‐ só basta acreditar.

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As conexões mais intrigantes estão em ‘A Ameaça Fantasma’, de 1999, que mostram três alienígenas extremamente parecidos com o E.T. trabalhando na plataforma do Senado Galáctico, lugar bastante frequentado pelo nosso digníssimo Mestre Yoda. As criaturas parecem compartilhar da mesma espécie do amiguinho alienígena de Elliot na Terra, o que nos levar a acreditar que o E.T. não era o único de sua raça e, de fato, tinha um lar para o qual voltar, mas, principalmente, que a aparência de Yoda não só era familiar para ele como também uma referência de seu planeta de origem. A hipótese ganha ainda mais força quando puxamos à memória uma certa cena do filme de Spielberg. Aquela, quando Elliot tenta disfarçar o alienígena no Dia das Bruxas para saírem na rua e, ao ver uma criança vestida de Yoda, o alienígena aponta e diz a palavra “casa”, lembram?

Mais do que uma simples teoria, a possibilidade do E.T. fazer parte do universo de ‘Star Wars’ e, de quebra, ser um Jedi (afinal, só a força para fazer aquela bicicletinha marota voar) se torna ainda mais provável quando a vemos como um reflexo da amizade de anos que existe entre os diretores Lucas e Spielberg.

1. ‘Corpo Fechado’ (2000) e ‘Fragmentado‘ (2017)

Sejam bem vindos à uma conexão tão bem calculada e inteligente que, para a surpresa de muitos, se tornará uma trilogia – com uma conclusão que, passados 17 anos após o lançamento do primeiro longa, está finalmente pronta na cabecinha maluca do diretor M. Night Shyamalan, o gênio por trás dessa teia sutil e bem amarrada de referências. Mas não sejamos apressados: para entender o que significa esse universo compartilhado é preciso, antes de tudo, fazer uma rápida viagem ao ano 2000, quando o rosto de Bruce Willys parecia carimbado nas prateleiras das locadoras de vídeo. Sensação desde os anos 80, o ator já tinha na bagagem, àquela altura, filmes icônicos como ‘Duro de Matar’, ‘Pulp Fiction’, ‘Os 12 Macacos’, ‘O Quinto Elemento’, ‘Armagedom’ e ‘O Sexto Sentido’. Naquele ano, estrearia aquele que fecharia um ciclo para Bruce, que enfrentaria nos anos seguintes uma inevitável crise na carreira, com filmes de bem menos apelo.


Assim chegamos a ‘Corpo Fechado’, um dos maiores filmes de toda a carreira de Shyamalan e, sem dúvida, um dos melhores no currículo de Willys. O filme acompanha a história de David Dunne, improvável sobrevivente de um desastre que abalou o país. Único passageiro a sair vivo (e ileso) de um acidente de trem, Dunne parte em busca de explicações para o que poderia ter salvo sua vida – uma trajetória, aliás, que o leva de encontro ao bizarro Elijah Price, ou simplesmente, Mr. Glass, um sujeito amaldiçoado que passou a vida inteira procurando por seu oposto exato.

O diferente Mr. Glass nasceu com vários ossos quebrados em função de uma doença rara e teve uma infância sofrida, seguida por uma adolescência pra lá de humilhante. Os revezes da vida foram todos por conta dos ossos frágeis, quebráveis como vidro, que o homem trazia pelo corpo – daí o nome “Glass” para melhor defini-lo. Como você pode imaginar, Prince encontrou seu sonhado oposto em Dunne, o homem indestrutível e especial que sobreviveu à tragédia sem nenhum arranhão – mas é aí que está o segredo, revelado nos momentos finais do filme: para encontrar David, Glass provocou tanto o acidente com o trem quando os que vieram antes dele. O desperdício de milhares de vidas humanas para que uma só fosse encontrada.

Inicialmente, Shyamalan pensou o projeto como primeira etapa de uma trilogia: a apresentação de um herói e de um vilão. O fracasso comercial de ‘Corpo Fechado’, no entanto, deve tê-lo dissuadido da ideia e por 17 anos o plano permaneceu no limbo, sem pretensão de ser continuado – e assim, M. Night Shyamalan tocou sua vida, investindo em outras propostas. A mais recente de suas obras levou o nome ‘Fragmentado‘ no título e rendeu ao diretor um conjunto de boas críticas e elogios que há muito tempo ele não recebia. O que muita gente não sabia durante a divulgação do longa e até os minutinhos finais do mesmo, é que, pasmem: a história de Kevin foi, o tempo todo, uma continuação silenciosa de ‘Corpo Fechado’ – e você nem desconfiou.



As cenas finais de ‘Fragmentado‘ deram um susto nos fãs do diretor, que se viram de cara com Bruce Willys, quase vinte anos depois, vendo a notícia do sequestro cometido por Kevin e respondendo a uma pergunta aleatória no restaurante. Se eles já tinham visto uma história parecida? Ah, tinham… E o nome do cara era Mr. Glass -que, aliás, deve aparecer no terceiro filme de Shyamalan, que fechará a trilogia iniciada no ano 2000.

Fragmentado‘ é o que nós chamamos de “Shyamalan clássico”, tão tenso quanto aqueles pelos quais o diretor ficou conhecido. A história nos apresenta ao perturbado Kevin Crumb, um sujeito que tem a pechincha de 23 personalidades vivendo dentro de si, devidamente compartilhadas com sua terapeuta. Se as 23 não fossem difíceis o suficiente, Kevin precisa lidar, ainda, com o surgimento de uma perigosa 24ª faceta, cuja humanidade é bastante questionável. É essa última que motiva o sequestro de três adolescentes e dá ao personagem de McAvoy uma força sobre-humana ao final do filme, que já estava planejado por Shyamalan há quase 20 anos. Dito isso, enquanto ‘Corpo Fechado‘ se resume ao surgimento e apresentação de um herói, ‘Fragmentado‘ explora a origem de um super vilão, de maneira que podemos esperar, no terceiro longa, um embate épico entre os dois.

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Dandara Santos

Jovem-idosa, nerd aspirante a milionária e jornalista. Danda lê livros como terapia, assiste mais séries do que consegue, tem preferências musicais incompatíveis e vê no cinema uma segunda casa. Natural de Brasília, tem 24 anos num corpo de 16 - fato que tenta remediar, inutilmente, na base do fast food. Pseudo-hipocondríaca, viciada em listas e perfeccionista, sofre com a necessidade patológica de expressar sua opinião.

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