Retrospectiva | O melhor – e pior – do cinema em 2017

Retrospectiva | O melhor – e pior – do cinema em 2017

Autor: 227

A sétima arte vai continuar produzindo excelentes conteúdos a cada ano e nada melhor que relembrar o que houve de melhor, listar o que ainda não foi assistido e dar umas pedradas no que foi realmente ruim. É importante frisar logo de cara: são muitos filmes, então com certeza um ou outro vai passar batido.

De olho nos prêmios

Começando por uma das maiores gafes da história da Academia, o Oscar de Melhor Filme foi entregue inicialmente ao favoritaço ‘La La Land’ (que realmente foi muito bom), mas logo descobriu-se que o vencedor de verdade havia sido ‘Moonlight’. UAU! Um filme dramático sobre descobertas pessoais e superação, com elenco negro e orçamento de “míseros” US$ 5 milhões desbancou o musical super badalado, com equipe estrelar, grande vencedor da noite e que lucrou mais de US$ 400 milhões. Que surpresa!

Falando em premiação, ‘Dunkirk’ vai acabar concorrendo nos grandes eventos do início de 2018. O filme dirigido por Christopher Nolan contou como foi uma operação que salvou a vida de 300 mil soldados dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Em vez das grandes batalhas épicas de sempre (que também estão presentes), Nolan deu um foco especial às tramas individuais, afinal, guerras são lutadas por pessoas, e pessoas têm histórias.

retrospectiva dunkirk

 

Surpresas

Sucessos inesperados não foram poucos durante o ano. Algumas obras podem ser destacadas sem medo de exagerar.

Bingo: O Rei das Manhãs‘ foi quase uma unanimidade. Mais um respiro para o futuro do cinema brasileiro, que vem contando com excelentes lançamentos ultimamente. O filme livremente inspirado na história de Arlindo Barreto, o palhaço Bozo, foi um sucesso de crítica, com atuações bastante elogiadas e direção mais do que competente. Vale a pena demais!

Lá fora, ‘Corra!’ (‘Get Out’) mostrou um suspense psicológico que foi muito fundo nas reflexões sobre racismo. O diretor Jordan Peele conseguiu criar uma alegoria complexa, porém muito didática sobre algumas das dificuldades que pessoas negras enfrentam no dia-a-dia. A estreia foi em maio, mas a expectativa é que também esteja presente nas premiações de 2018.

Em Ritmo de Fuga’ (‘Baby Driver’) foi uma das produções mais divertidas do ano. A dinâmica de Edgar Wright costuma ser um diferencial nos seus filmes e, aqui, essa característica se destacou novamente. A trilha sonora é quase que um personagem em si, com personalidade e importância fundamental para o andamento da trama. Muito bom mesmo!

Outro que ofereceu mais do que se esperava foi ‘Atômica’ (‘Atomic Blonde’). Charlize Theron se entregou fortemente à produção e a direção de David Leitch, que é ex-dublê, contou demais para que fossem realizadas as melhores sequências de ação do ano – com direito a um plano sequência inacreditável no terceiro ato. Os filmes de espionagem precisavam de uma cara nova e podemos considerar ‘Atômica’ um sucesso.

+Leia também: Crítica | Atômica

Mãe!‘ acabou sendo bastante polêmico porque o diretor Darren Aronofsky pesou a mão no seu estilo próprio, o que agradou muita gente, mas não caiu no gosto de boa parte dos espectadores. Bem dirigido com certeza foi, as atuações de Jennifer Lawrence, Javier Bardem e Michelle Pfeiffer também foram sensacionais, mas o roteiro cheio de metáforas deixou um ponto de interrogação na testa de uma galera. De qualquer forma, para o bem ou para o mal, ‘Mãe!’ ficou na boca de todos por muito tempo.

Jennifer Lawrence in mother!, from Paramount Pictures and Protozoa Pictures.

Também valem a nota Extraordinário, baita drama feito para assistir com a família e chorar litros, com mais uma atuação incrível do garoto Jacob Tremblay; ‘Ao Cair da Noite‘, mais um dos filmes de terror e suspense da nova leva que fogem das fórmulas cheias de clichês e jump scares; ‘A Ghost Story‘, suspense dramático muito interessante e que, infelizmente, não chegou ao Brasil ainda; Raw, filme franco-belga que abordou um tema super polêmico – canibalismo – de um jeito diferente do grupo-de-amigos-perdidos-encontram-tribo-canibal-mortes-gritos-sangue; ‘Okja‘, original da Netflix que criou uma discussão ambiental fictícia muito adaptável à nossa realidade.

+Leia também: Corra! e o ótimo retrato do liberalismo racista

 

Continuações, adaptações, etc.

A falta de criatividade nos roteiros de Hollywood não é novidade – e reclamar dela também não. Enquanto isso, saem toneladas de continuações, remakes e adaptações. Estas últimas acabam se salvando porque adaptar obras de outras mídias sempre foi tendência. É o caso de Assassinato no Expresso do Oriente, dirigido e estrelado por Kenneth Branagh, que é a versão cinematográfica do livro homônimo de Agatha Christie. Não é um filme ruim, nem excelente. Mas vale a pena assistir para ver grandes atores em papéis diferentes, como Daisy Ridley, Judi Dench, Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Penelope Cruz e outros.

O problema é quando saem algumas bombas, como Power Rangers e uma tentativa questionável de modernizar os heróis. Algumas vezes o resultado nem fica tão ruim, como em Ghost in the Shell, mas premissa era tão incrível que a decepção foi proporcional: o filme se plastificou demais para ganhar os mercados como um grande blockbuster e acabou deixando de lado muito da sua essência.

E o que falar de ‘A Torre Negra’? A maior obra literária de Stephen King (foram 33 anos para a série ser finalizada) ganhou um filme sem sal, bem abaixo das expectativas.

Até a Netflix, queridinha do público e dona de produções incríveis, pisou feio na bola. A versão americana de ‘Death Note‘ foi pavorosa, com um roteiro mais raso que um pires e que não chegou nem perto de reproduzir a complexidade do original. Ok, era uma adaptação, não precisava ser igual, mas que carregasse o mínimo de profundidade que a obra merecia.

Lakeith Stanfield and Nat Wolff in the Netflix Original Film "Death Note"

As sequências também tiveram representantes que podem se orgulhar e outros que passaram vergonha. Do lado bom da moeda, podemos citar ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’ e Blade Runner 2049. Enquanto o macaco César e cia. mantiveram o nível excelente da nova trilogia (sério, são três filmes muito bons), os Replicantes voltaram depois de 35 anos do lançamento do primeiro ‘Blade Runner’ – inclusive Harrison Ford, como Deckard.

Outro que mandou bem tanto de crítica quanto de aceitação foi Fragmentado‘ (‘Split‘), a volta de M. Night Shyamalan aos holofotes com um bom filme. Apesar de não ser uma continuação de fato, a produção expandiu o universo de ‘Corpo Fechado‘ (‘Unbreakable‘, de 2000) e deixou encaminhado um terceiro título, juntando tudo. O destaque com certeza foi James McAvoy, um dos atores mais versáteis de Hollywood na atualidade.

Kingsman: O Círculo Dourado não foi ousado como seu antecessor, uma vez que a franquia já estava consolidada. Apesar de ter sido um bom filme, não houve muitas inovações e Matthew Vaughn apenas manteve a qualidade esperada.

Cinquenta Tons Mais Escuros e ‘O Chamado 3’ só ocuparam calendário. A nova adaptação do terror japonês trouxe Samara de volta depois de 12 anos, mas ela bem que podia ter sido deixada quietinha. Já a saga de Christian Grey e Anastasia Steel vende que nem água, mas continua com qualidade muitíssimo questionável.

Uma pena é que Alien Covenant ficou do lado ruim das continuações. Ridley Scott e a histórias de terror do Alien simplesmente não conseguem mais o apelo de antes.

E não sei se vocês se lembram, mas teve um novo ‘Piratas do Caribe‘ (‘A Vingança de Salazar‘, que até foi melhor que as expectativas) e outro ‘Transformers‘ (‘O Último Cavaleiro‘, que convenhamos, foi tão fraco quanto todos os Transformers que você conseguir se lembrar).

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Ah! Teve Star Wars: Os Últimos Jedi. Surpreendentemente, as opiniões sobre o oitavo episódio da franquia ficaram muito divididas. Parte adorou o retorno de Luke, parte odiou, com direito a petição para retirar o filme do cânone. A alegação era que a essência de personagens importantes para a saga não foi respeitada, o que seria inadmissível. Sabe-se lá o quanto disso é verdade ou o quanto esta suposição afeta a grande massa de fãs de Star Wars, mas a realidade é que já foram arrecadados mais de US$ 750 milhões em menos de 15 dias em cartaz. Justo ou não, ‘Os Últimos Jedi‘ é um sucesso e J.J. Abrams está voltando para o episódio IX.

Star Wars: Os Ultimos Jedi

Dentre os remakes, It – A Coisa também foi um belo filme. Ainda mais pela vibeStranger Things’ que os fãs de produções mainstream têm vivido, o filme do palhaço Pennywise agradou demais. A fotografia oitentista fiel e as ótimas atuações das crianças e de Bill Skarsgard como o vilão sustentaram o novo terror. ‘John Wick: Um Novo Dia Para Matar‘ também foi uma ótima escolha para quem curte filmes de ação. Pancadaria, tiro para tudo quanto é lado, um grau de realismo para prender o espectador e a fórmula de sucesso dos brucutus permaneceu mantida. Com certeza foi um dos destaque do gênero, junto com ‘Atômica’.

A Múmia foi sofrido. Kong – A Ilha da Caveira, por sua vez, foi bem melhor que o esperado. Vale muito mais a pena.

 

Super-bilheterias

O maior super-poder dos heróis do cinema nos dias atuais é fazer dinheiro. Foram seis novos filmes de adaptações de HQs em 2017, a maioria deles reproduzindo fórmulas batidas – porém, de sucesso garantido. Guardiões da Galáxia 2 foi a prova disso: repetiu tudo o que o primeiro apresentou, mas de forma um pouco diferente (o tal “pode copiar, só não faz igual“), garantindo mais de US$ 860 milhões de bilheteria. Homem-Aranha: De Volta Ao Lar também foi apenas mais um filme de origem, porém executado de forma tão redondinha que agradou – US$ 880 milhões de bilheteria e 92% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Quem inovou totalmente foi Thor: Ragnarok. O tom sombrio que estava presente até no título do segundo filme do deus nórdico foi deixado de lado sem dó. Dessa forma, o terceiro título acabou sendo transformado em uma comédia autêntica, com piadas saltando na tela o tempo inteiro e abraçando a galhofice no mundo dos heróis. Mais US$ 844 milhões para a conta (repare que isso tudo foi só na Marvel).

retrospectiva thor ragnarok

Já a DC, novamente, ficou para trás. Isso nem pode ser considerado “pegar no pé” da empresa porque os resultados simplesmente não aparecem. Foram US$ 646 milhões arrecadados com bilheteria em Liga da Justiça, a reunião dos maiores heróis de todos os tempos nos quadrinhos! O ano só não foi um fracasso total por causa do ótimo Mulher-Maravilha, com números similares a ‘Homem-Aranha‘: US$ 821 milhões de bilheteria e 92% no Rotten Tomatoes.

This image released by Warner Bros. Entertainment shows Gal Gadot in a scene from "Wonder Woman," in theaters on June 2. (Clay Enos/Warner Bros. Entertainment via AP)

Mas o grande destaque do ano pode ficar na conta da Fox. Logan foi o filme do Wolverine que os fãs sempre quiseram assistir, com uma carga dramática pesada, violência sem medo, fotografia futurista desoladora… Ponto para a Fox, na verdade, que apostou em ‘Deadpool‘ em 2016 e viu que filmes “adultos” também podem ser bem-sucedidos. A abordagem do universo mutante a partir de um ótica pessimista, o retrato de Xavier em um estado de saúde frágil e a própria relação de Logan com a X-23 foram de fazer os olhos brilharem (apesar de um final questionável). O saldo é positivo. Foi aberto um leque de opções para o futuro, principalmente para os Novos Mutantes, que também são um grupo de jovens pouco conhecidos e que serão retratados em um novo gênero, o terror.

retrospectiva ligan

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Filipe Rodrigues

Jornalista, apaixonado por futebol, nerd e leonino. Apesar de acompanhar tudo o que acontece no mundo dos esportes, escolheu o universo das nerdices pra dedicar seu tempo produtivo e criativo. Gosta muito de Superman; entre Vingadores e X-Men fica com os mutantes; adora coisas nostálgicas como Digimon, Power Rangers e Dragon Ball; e seu filme favorito agora é Mad Max: Estrada da Fúria!

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