Crítica | Liga da Justiça

Crítica | Liga da Justiça

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Ficha técnica

Crítica | Liga da Justiça

Título original: Justice League
Data de lançamento: 16 de novembro de 2017
Direção: Zack Snyder
Gênero: Super-herói
Produção: Charles Roven, Deborah Snyder, Geoff Johns, Jon Berg
Distribuição: Warner Bros.
Roteiro: Chris Terrio, Joss Whedon
Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Jeremy Irons, Diane Lane, Connie Nielsen, J. K. Simmons.

Avaliação Uber7

Há pouco mais de um ano e meio ‘Batman vs Superman’ chegava aos cinemas e, com ele, toda uma esperança construída em cima de um filme que, além de colocar dois gigantes dos quadrinhos um contra o outro, ainda tinha missão de criar um novo universo cinemático. Se o plano era dividir os fãs, o resultado foi atingido com êxito. Então veio junho deste ano, e ‘Mulher-Maravilha’ chutou muitas bundas descrentes mostrando porque, afinal, ela é a maior heroína de todos os tempos. Quatro meses se passaram, e, finalmente, chegou a vez de ‘Liga da Justiça‘ mostrar que sim, os grandes nomes por trás da DC ouviram os fãs e consertaram muitos problemas dos longas anteriores. Mas será que isso foi o suficiente para fazer um filme melhor?

A produção de ‘Liga da Justiça’ começou quase que imediatamente após a estreia de ‘BvS’, portanto Zack Snyder, responsável por ambos os filmes – além de ‘Homem de Aço’ – parece ter sido diretamente afetado pelas duras críticas feitas a ele próprio quando seu ultimo longa chegou às telonas. O diretor trocou consideravelmente sua escolha primária de cores acinzentadas e monocromáticas por opções mais vivas e chamativas. Se antes os filmes da DC até então pareciam mais sombrios e obscuros, ‘Liga da Justiça’ trás mais luz para esse universo cinemático que parece estar dando passos mais seguros em direção ao que, com sorte, será o universo que todos poderão apreciar sem ressalvas.

liga da justiça

Devido problemas pessoais, Snyder precisou abandonar a cadeira de diretor quando o filme estava em fase de pós produção, o que levou a DC a chamar ninguém menos que Joss Whedon para preencher o papel. O responsável por ‘Vingadores’ 1 e 2 trouxe consigo seu lado mais leve e nerd para um filme que precisava de ambos. Não entenda mal, o filme ainda é de Snyder, porém a mão de Whedon é perceptível ao ponto do espectador conseguir discernir o que foi feito em refilmagens e o que já estava lá. O que leva o público a pensar em como o filme poderia ter sido caso ele o tivesse roteirizado desde o início.

Infelizmente, por conta dessas mesmas refilmagens, o filme apresenta alguns problemas de continuidade, bem mais leves que o monstro Frankenstein que foi ‘Esquadrão Suicida‘, mas que ainda estão presentes. Além disso, a ordem de manter o filme mais curto que seus antecessores, 120 minutos de duração, fez com que eles transmitisse a sensação de pressa e superficialidade, deixando muitas perguntas não respondidas no ar, como importantes arcos individuais dos novos personagens.

O Batman de ‘Liga da Justiça’ é bem diferente do que vimos em ‘BvS’. Se antes ele era sério e cético, agora ele evoluiu como personagem e parece, genuinamente, ter aprendido com seus erros anteriores e com Superman não só a ter esperança, mas a inspirá-la nos outros. Ben Affleck permanece sólido no papel. Seu Bruce Wayne continua arrogante, porém ele age de forma menos brutal, se aproximando mais do humano. A Mulher-Maravilha de Gal Gadot continua carismática como sempre. Sua cena de abertura é tão empolgante quanto seu filme solo. Diana mostra também ter evoluído com o passar dos anos na Terra dos homens. Se em junho ela parecia, por vezes, inocente no mundo no qual ela havia acabado de ser introduzida, agora ela é a bússola moral de ‘Liga da Justiça’. A dinâmica entre ela e Bruce ajuda a fornecer um centro humano à uma história repleta de deuses caminhando entre mortais.

The-Flash-in-Justice-League

O filme apresenta, oficialmente, três novos grandes nomes do universo dos quadrinhos. O primeiro deles é Arthur Cury, o Aquaman. Jason Momoa parece tão legal no papel que fica praticamente impossível pensar que seu personagem algum dia já foi considerado tosco. Suas cenas subaquáticas do filme parecem muito melhores do que seu breve cameo em ‘Batman vs Superman’, mas há uma sequência em particular que acontece em Atlântida que levanta mais perguntas sobre o personagem e sua jornada do que este filme explora ou esclarece adequadamente, mas que eleva ainda mais o hype para o filme solo do herói feito por James Wan.

O Flash de Ezra Miller é uma versão muito mais neurótica e empolgada de Barry Allen do que os telespectadores da série da CW podem estar acostumados. O homem mais veloz do mundo é divertidamente jovem e inexperiente, lutando ainda para aprender o que significa ser um herói. Barry tem um bom relacionamento com todos os outros personagens, mesmo quando ele os está irritando, o que acaba funcionando bem como alivio cômico para a trama. Enquanto isso, o Cyborg de Ray Fisher acaba sendo muito mais integral ao enredo do que alguns esperavam, dando-lhe a chance de provar a si mesmo como um personagem intrigante. Sua firme convicção em ideais heroicos ajuda a mantê-lo humano mesmo quando seu corpo se torna cada vez mais parecido com uma máquina alienígena.

O vilão aqui sofreu como tantos outros da concorrente Marvel. Steppenwolf, ou Lobo da Estepe, é um gigante feito por CGI que, apesar de ter boas cenas de batalha, cujo crédito deveria ser dado mais para as amazonas que a ele próprio, nunca gera a sensação de perigo eminente necessária para criar a aura de um vilão condizente com o filme. Ele é mais um cara malvado unidimensional com um cronograma a seguir e falta de personalidade distinta.

Liga da justiça telhado

Apesar do lábio virtual de Henry Cavill incomodar algumas vezes – boa parte das refilmagens envolveram o ator que, por motivos de contrato com o filme ‘Missão Impossível 6’, teve que manter seu bigode para as novas cenas de Liga – seu Superman foi o que mais cresceu desde BvS. Se antes o herói era distante e preocupado, que parecia estar carregando o peso do mundo nos ombros o tempo todo, agora ele renasceu como alguém mais leve e dinâmico, alguém realmente capaz de inspirar bondade nos outros. Cavill pareceu mais à vontade que nunca no papel do homem de aço, seu personagem faz piadas, trabalha em equipe e retoma o espírito deixado para trás do clássico de 1978.

Apesar dos problemas de ritmo e falta de ousadia, ‘Liga da Justiça’ marca bons pontos com um elenco carismático e momentos divertidos. O longa fica abaixo de ‘Mulher Maravilha’ em termos de qualidade e coerência do todo, porém dá mais um passo, ainda que tímido, em direção da verdadeira identidade do que significa ser um herói da DC neste universo cinemático que continua a tomar forma. É um filme que, para quem é fã, está quase redondo, fazendo jus aqui e ali a personagens tão queridos, mas que, apesar de empolgar em alguns momentos, deixa a desejar em quesitos técnicos enquanto filme isolado.

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Everson Araujo

Jornalista, aspirante a escritor, professor de inglês, executivo e grisalho. Geek de nascença, é viciado nas melhores séries de TV, quadrinhos e animes, tanto da atualidade quanto os clássicos. Amante de cinema e crítico, Everson vê no universo dos livros a incrível sensação de escape do mundo real.

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