Crítica | Thor: Ragnarok

Crítica | Thor: Ragnarok

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Ficha técnica

Crítica | Thor: Ragnarok

Título original: Thor: Ragnarok
Data de lançamento: 26 de outubro de 2017
Direção: Taika Waititi
Gênero: Aventura / Comédia
Produção: Kevin Feige
Roteiro: Eric Pearson
Distribuição: Walt Disney Studios / Motion Pictures
Elenco: Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Tessa Thompson, Jeff Goldblum, Karl Urban, Idris Elba, Anthony Hopkins

Avaliação Uber7

A Marvel não arreda o pé para fora da famosa fórmula do UCM – Universo Cinemático da Marvel – mesmo quando o tom dos lançamentos é um pouco diferente. Em ‘Thor: Ragnarok‘, o esqueleto de toda a estrutura dos filmes de heróis está lá, revestido com doses cavalares de humor. Seria uma espécie de filme dos Vingadores com muito mais humor, o que gera semelhanças com ‘Guardiões da Galáxia‘ que não são meras coincidências.

Pensado para compor o núcleo cósmico do universo compartilhado, o terceiro filme do deus nórdico é o que mais funciona como uma produção solo. O diretor neo-zelandês Taika Waititi deixa sua marca de forma carregada, mas com uma série de outros aspectos muito característicos dos quadrinhos do Thor, principalmente pelas referências a Jack Kirby e Walt Simonson (este citado nominalmente nos créditos). Assim, ele foge totalmente do tom de seriedade e esquece o senso de ameaça comum tão presente nos filmes da Marvel.

nullMarvel Studios’ THOR: RAGNAROK..L to R: Thor (Chris Hemsworth) and Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo)..Ph: Film Frame..©Marvel Studios 2017

A premissa não procura ser mais complexa do que realmente entrega: Thor perde seu martelo e é mandado pela vilã Hela para algum canto do universo bem longe de Asgard. Enquanto isso, ela dá início ao que seria o Ragnarok, o apocalipse nórdico que culmina na queda de Asgard. O herói vai parar em um planeta chamado Sakar, onde é usado como gladiador para satisfazer os caprichos do tirano Grão-Mestre e, por acaso, reencontra o Hulk.

Não tem como fazer um filme com um roteiro simples assim sem ter algum diferencial e, como dito no início, o que garante o sucesso é o humor. A identidade dos filmes anteriores é abandonada sem remorso, deixando para lá qualquer conflito entre fé e ciência ou complexidades dos relacionamentos familiares. A família real, aliás, é tratada de forma superficial, mostrando Thor e Loki como eles realmente são nos dias atuais: ícones pop que não despertam a menor curiosidade do público por causa do seu parentesco, mas, sim, por como este laço pode ser explorado com as suas maiores qualidades: cinismo, ironia, habilidade com as palavras, força física e carisma.

 

Graça x lógica

Para ser engraçado, Taika Waititi abre mão de muitos conectores de elementos do roteiro que seriam necessários para que alguns acontecimentos fossem críveis. É muito pequena a reação da população asgardiana quando Loki se revela, por exemplo, e menor ainda quando ele e Thor vão para a Terra procurar por Odin, deixando o próprio lar sem governante sabe-se lá por quanto tempo (pode ter sido por horas, mas também por dias). No entanto, tais falhas não são grandes problemas porque o filme não se leva a sério hora alguma, quase passando a mensagem de “gente, sabemos que está errado, mas não é isso aqui que importa”.

Dessa forma, a lógica e a continuidade que outros títulos como ‘Capitão América‘ e ‘Homem de Ferro‘ tentam implementar em suas aventuras solo não são obrigatórias aqui. O que vale mais é a piada, por mais previsível que ela seja. Um dos destaques de todo o filme, por exemplo, é o monstro dublado pelo próprio Waititi: o gladiador Korg, que tem uma voz inacreditavelmente fina para o tamanho do personagem. Ele não acrescenta em nada para a história, mas a mera presença do ogro já garante boas risadas.

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Mesmo funcionando bem sozinho, é impossível não comparar com seus antecessores. Chris Hemsworth apresenta sua melhor atuação – talvez na carreira; Mark Ruffalo tem pouco tempo de tela, mas justifica a posição de destaque entre os Vingadores; Tessa Thompson pesa um pouco as expressões, mas acaba criando um traço de personalidade forte que combina com a personagem; Tom Hiddleston é um Loki cada vez menos vilanesco; Jeff Goldblum é a principal novidade do elenco e encontra perfeitamente o tom necessário para soar ameaçador e ridículo ao mesmo tempo; e Cate Blanchett talvez seja a primeira vilã que realmente tenha convencido – não tinha a pretensão de ser bizarramente poderosa em escala cósmica, veio com um plano simples e “conquistável”, não precisava ter um desenvolvimento maior do que teve… então funcionou.

nullThor: Ragnarok..Hela (Cate Blanchett)..Photo: Jasin Boland..©Marvel Studios 2017

Já graficamente, a produção é impecável. Cenários lindos – principalmente Sakar -, figurinos exagerados tais como foram concebidos por Jack Kirby e criaturas novas (o cão “de estimação” de Hela é uma maravilha) ajudam a ornamentar o ambiente para que os conhecidos personagens se encaixem sem estranheza. Novamente, isso é uma herança de ‘Guardiões da Galáxia‘. Depois de dois filmes ambientados no espaço, o público já está mais habituado a certos aspectos que talvez não funcionariam se fossem vanguardistas.

nullMarvel Studios’ THOR: RAGNAROK..Hulk (Mark Ruffalo)..Ph: Teaser Film Frame..©Marvel Studios 2017

Thor: Ragnarok‘ tem como objetivo ser um filme que funciona por si só, mesmo estando inserido em um universo compartilhado – e consegue. Ao final dos 130 minutos de duração, a impressão é que foi contada uma aventura do Thor em um fim de semana muito louco e que ninguém além dos envolvidos vai sentir o impacto desses acontecimentos – mais espírito de HQ que isso é impossível.

Além disso, não é transgressor como ‘Deadpool‘ nem inovador quanto o próprio ‘Guardiões‘, mas definitivamente é engraçado e foge da curva de seriedade que a Marvel Studios adotou nas suas primeiras fases no cinema.

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Filipe Rodrigues

Jornalista, apaixonado por futebol, nerd e leonino. Apesar de acompanhar tudo o que acontece no mundo dos esportes, escolheu o universo das nerdices pra dedicar seu tempo produtivo e criativo. Gosta muito de Superman; entre Vingadores e X-Men fica com os mutantes; adora coisas nostálgicas como Digimon, Power Rangers e Dragon Ball; e seu filme favorito agora é Mad Max: Estrada da Fúria!

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