Crítica | Star Wars: Os Últimos Jedi

Crítica | Star Wars: Os Últimos Jedi

Autor: 280

Ficha técnica

Crítica | Star Wars: Os Últimos Jedi

Título original: Star Wars: The Last Jedi
Data de lançamento: 14 de dezembro de 2017
Direção: Rian Johnson
Gênero: Ficção científica, aventura
Produção: Kathleen Kennedy, Ram Bergman
Distribuição: LucasFilm
Roteiro: Rian Johnson
Elenco: Daisy Ridley, John Boyega, Mark Hamill, Adam Driver, Oscar Isaac

Avaliação Uber7

A magia de Star Wars sempre esteve na cultura que foi criada à sua volta e na capacidade quase sobrenatural de fazer com que os fãs se envolvam com os personagens e com a trama. O diretor Rian Johnson – também encarregado também do roteiro – pode ser creditado como grande responsável por manter essa chama acesa.

A trama de ‘Star Wars: Os Últimos Jedi‘ segue a fórmula de filmes de guerra espaciais clássicos, com perseguições de naves, explosões bem bonitas e centenas de mortos em ambos os lados. Nesse ponto, o ‘Episódio VIII‘ se assemelha a um game, no qual existe uma linha central e diversas missões secundárias que convergirão lá na frente para ajudar a resolver a ameaça principal – e isso é ótimo. Esta escolha permite que vários personagens tenham bastante tempo em tela, principalmente Poe Dameron (Oscar Isaac) e Finn (John Boyega), que sustentam objetivos menores que, em um cenário de guerra, definitivamente não são menos importantes.

O filme também trabalha a consolidação de conceitos e personalidades apresentados em ‘O Despertar da Força‘, mas, ao mesmo tempo, funciona muito bem sozinho e ainda amarra as pontas para sua futura continuação. Em geral, a coesão da narrativa não torna as duas horas e meia de duração cansativas e, ao final, quando finalmente podemos dar uma respirada de alívio, o sentimento é de que poderia haver mais 60 minutos tranquilamente que todos iriam adorar.

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Sta Wars: Os Ultimos Jedi

As atuações não deixam a desejar e até os núcleos cômicos (galhofentos em algumas situações) funcionam de forma natural. Adam Driver, o mais questionado por um Kylo Ren ora blasé, ora exagerado demais, mostra uma evolução em relação ao filme anterior – talvez porque o próprio personagem melhore. Também é possível dar uma olhada no Supremo Líder Snooke “em carne e osso”, as lutas corpo a corpo são bem coreografadas e há mais um punhado de detalhes técnicos que são bem legais. Mas o que faz, então, desse filme tão espetacular?

A Força de Star Wars

A resposta para essa pergunta está na abertura do texto: a cultura de Star Wars faz com que a execução de ‘Os Últimos Jedi‘ seja tão boa. A experiência de pagar para assistir a isso é totalmente recompensante porque tudo o que se espera de um filme de aventura está ali. O primor técnico aliado ao carinho natural que os espectadores têm com a série combinam de forma a tudo parecer ainda melhor do que é.

Uma cena como a batalha em um deserto de sal vermelho seria muito, mas muito legal em qualquer contexto. Porém, por ser Star Wars, aquilo ganha contornos ainda mais épicos, especialmente com o roteiro seguindo o caminho que seguiu. Cria-se uma dúvida até: as cenas são tão boas simplesmente porque é ‘Star Wars’, ou ‘Star Wars’ é tão bom porque as cenas são muito boas?

Star Wars: Os Ultimos Jedi

Porém, diferente de todos os seus antecessores, este filme quebra a dualidade “bem x mal” com escolhas tão naturais que não soam estranhas aos fãs mais ferrenhos. Mais do que isso, abre um leque de oportunidades que podem ser exploradas no futuro, mesmo que alguns conceitos já tenham sido trabalhados – salta aos olhos o conflito interno entre os “lados da Força”, já apresentado diversas vezes, mas explorado sob uma nova nuance (mais sobre isso adiante, no parágrafo sobre Rey e Kylo).

Aqui, um trauma dos fãs também é um pouco mais superado: o CGI. Os efeitos especiais que George Lucas tanto amava e que plastificaram os Episódios I, II e II estão cada vez mais equilibrados. Foram 125 sets construídos de forma prática (o plano inicial era para 160, mas o próprio Johnson percebeu que seria demais), o que possibilita a criação de uma atmosfera muito mais crível. “Com certeza usar chroma key teria sido mais barato, mas o que fizemos valeu muito mais a pena. Nós temos um clima, uma atmosfera, algo meio pé no chão que nunca teríamos conseguido com uma tela verde“, afirmou em entrevista ao The Hollywood Reporter.

Isso é Star Wars! É empatia com os espectadores, é esforço para fazer da imersão a maior possível.

O trio principal

O sobrenome Skywalker se tornou lendário não apenas na nossa realidade, mas também no universo cinematográfico de Star Wars, e ‘Os Últimos Jedi‘ marca o retorno do protagonista como um personagem de referência. O pior cenário possível seria a imensa figura de Luke se sobrepor a Rey e Kylo Ren, mas não é bem isso que acontece. Todos têm participações relevantes e tempos equilibrados de tela. Luke, especialmente, não é explorado à exaustão para não saturar uma imagem quase divina criada pela história, e os jovens dividem o protagonismo de forma a mostrar os dois lados da Força, bem como os dilemas que um aprendiz passa no processo de maturidade dos seus poderes.

Star Wars: Os Ultimos Jedi

De certa forma, o público é induzido a se colocar no lugar dos personagens para observar a Rebelião sob diferentes perspectivas. O mesmo acontece com o entendimento do que é a Força em si, como o surgimento de um Darth Vader ou um Kylo Ren, que pode ser interpretado de formas distintas, dependendo do ponto de vista. Com isso, ‘Os Últimos Jedi‘ aproveita para quebrar o maniqueísmo dos malvadões contra os mocinhos, criando uma espécie de elo entre o público e todos os personagens principais. É de arrepiar quando chamam Kylo Ren de Ben Solo!

Para não dizer que não houve nada de ruim, dois destaques negativos são importantes. Um deles foi o arco de Finn, que é totalmente esquecível. A chance de mostrar muita coragem no seu final foi substituída por uma sequência sem sentido e que por pouco não desconecta os espectadores de um dos momentos mais importantes de toda a franquia. O outro é a falta de explicação sobre quem é Snoke, de onde ele veio, quais são as motivações dele e de onde vem tanto poder. Uma ponta solta que possivelmente será explicado em outras mídias – talvez nos livros.

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É difícil falar de um filme com tanta identificação emocional com o público. Dizer que este é o melhor Star Wars é arriscado, porque há o risco de elevar a expectativa a um nível alto demais; mas pode ser também injusto, já que existe uma grande chance de esse ser, de fato, o melhor filme da franquia. O que se pode concluir, com certeza absoluta, é que se os produtores realmente ignoraram as ideias que George Lucas tinha para o futuro… só podemos lamentar por ele. O resultado está sendo magnífico e não há muito mais o que poderíamos pedir além do que tem sido apresentado.

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Filipe Rodrigues

Jornalista, apaixonado por futebol, nerd e leonino. Apesar de acompanhar tudo o que acontece no mundo dos esportes, escolheu o universo das nerdices pra dedicar seu tempo produtivo e criativo. Gosta muito de Superman; entre Vingadores e X-Men fica com os mutantes; adora coisas nostálgicas como Digimon, Power Rangers e Dragon Ball; e seu filme favorito agora é Mad Max: Estrada da Fúria!

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