Crítica | Rei Arthur: A Lenda da Espada

Crítica | Rei Arthur: A Lenda da Espada

Autor: 199

Ficha técnica

Crítica | Rei Arthur: A Lenda da Espada

Título original: King Arthur: Legend of The Sword
Data de lançamento: 18 de maio de 2017
Direção: Guy Ritchie
Gênero: Ação/Aventura/Drama
Produção: Warner Bros.
Distribuição: Warner Bros.
Roteiro: Joby Harold, Guy Ritchie e Lionel Wigram
Elenco: Charlie Hennam, Jude Law, Astris Bergès-Frisbery, Aidan Gillen

Avaliação Uber7

O primeiro acerto de ‘Rei Arthur: A Lenda da Espada’ é ignorar a existência do filme de 2004 estrelado por Clive Owen. Se naquela versão da lenda britânica o diretor Antoine Fuqua tentou retratar uma figura real, com base em achados arqueológicos, aqui Guy Ritchie parte para uma releitura anacrônica do personagem histórico e repleta de elementos fantasiosos. O resultado é bem mais divertido do que aquele longa modorrento da década passada e mais interessante em relação a outras adaptações similares, como o ‘Robin Hood’ de Ridley Scott, lançado em 2010.

Na trama, o Rei Uther (Eric Bana, do vindouro ‘The Forgiven’) empunha a espada que recebeu de Merlin, Excalibur, para derrotar o mago das trevas Mordred e salvar a Inglaterra. Em seguida, porém, ele é traído e morto pelo próprio irmão, o ambicioso príncipe Vertigern (Jude Law, da série ‘The Young Pope’) e seu único filho desaparece. Anos depois, agora como Arthur (Charlie Hunnam, de ‘Z: A Cidade Perdida’), o herdeiro legítimo do rei leva a vida como um contrabandista influente, sem saber de seu passado.

Quando a espada sagrada de seu pai reage ao seu toque, porém, Arthur passa a ser perseguido e se vê forçado a unir forças com rebeldes do reino. Ele é ajudado por uma misteriosa maga (Astrid Bergès-Frisbey, de ‘Piratas do Caribe:Navegando em Águas Misteriosas’) e pelo antigo aliado de seu pai, Bedivere (Djimon Hounson, de ‘A Lenda de Tarzan’), que o levam para um treinamento secreto para ele dominar o poder de Excalibur, a única arma capaz de destronar Vertigern.

Conforme o Internet Movie Database (IMDb), para vender a ideia do filme aos executivos da Warner Bros., os produtores disseram se tratar de “um encontro do elenco de O Senhor dos Anéis com Snatch: Porcos e Diamantes”. Não é acaso, portanto, o longa começar com a refilmagem de uma cena de ‘O Retorno do Rei’, com direito a elefantes gigantes e acrobacias de combate bastante similares. A mitologia estabelecida aqui também lembra bastantes as obras de J.R.R. Tolkien, com menções pontuais a ‘Game of Thrones’, ‘Vikings’ e até a ‘King Kong’.

Nas mãos de Guy Ritchie, que também assina roteiro e produção, o filme foge do rótulo de épico principalmente pela estética. Apesar da abundância de slow motion, os cortes rápidos, rewinds e contra-planos empregados pelo diretor o distanciam bastante de exemplares como ‘Tróia’ e ‘Alexandre’. A personalidade maliciosa de todas as pessoas retratadas e até mesmo as roupas surpreendentemente contemporâneas (com direito a sobretudo de couro) remetem mais a outra adaptação do ex-marido de Madonna, ‘Sherlock Holmes’.

As atuações seguem um padrão regular de qualidade. Jude Law busca um tom muito afetado para o seu Vertigern, mas consegue explorar o quão dividido seu personagem se sente quando toma decisões drásticas. Seu papel na série ‘The Young Pope’ claramente serviu de inspiração para sua participação no longa. O mesmo pode ser dito do protagonista vivido por Charlie Hunnam. Ele empresta um pouco do cinismo, da canalhice e da ousadia de seus trabalhos mais famosos, criando um Arthur único. Em certos momentos, porém, sua verborragia é irritante demais. Em defesa do ator, essa característica é uma marca registrada da filmografia de Ritchie que ele traz para esta obra.

Como os supostos cavaleiros da Távola Redonda ganham pouco tempo de cena, apenas o Bill de Aidan Gillen (o Petyr Baelish de ‘Game of Thrones’) recebe algum desenvolvimento razoável. Um dos pontos-chave do roteiro é desencadeado por uma birra repentina de seu personagem, o que soa bastante forçado. Ainda assim, ele é uma das personalidades mais divertidas dentre todos os aliados de Arthur.

O destaque fica para a maga interpretada pela espanhola Astrid Bergès-Frisbey. Nos créditos, ela tem nome, mas ele não é mencionado diretamente durante o filme. O tom melancólico e sofrido que ela assume durante toda a projeção casam perfeitamente com a estética escolhida para ela manifestar seus poderes. Nada de disparar projéteis, flutuar ou algo do tipo. Suas habilidades consomem parte dela e a tornam vulnerável, mas têm grande utilidade para o herói.

A liberdade poética adotada pela produção mostra o desejo de criar algo singular. Como a mitologia do Rei Arthur não é exata e não existem registros históricos conclusivos sequer sobre a existência do personagem, os escritores combinaram os arquétipos de centenas de outras obras para compor esse universo. Muito do que conhecemos a respeito da história original é fruto de ficções escritas por autores do século passado. Sendo assim, o fato de ‘Rei Arthur: A Lenda da Espada’ não trazer Guinevere e Sir Lancelot não causa estranheza e ajuda a dar singularidade ao projeto.

PS: A trilha sonora é um espetáculo à parte.

PS2: O ex-jogador de futebol David Beckham faz uma participação divertida.

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Eric Zambon

Pai da Olívia e dono de um espírito de tiozão. Aspiro, algum dia, ser o parente da piada do Pavê. Até lá, leio qualquer conto do Hemingway e de Bukowski em que consigo colocar as mãos. Sabe como é, leia os grandes para se tornar um deles. Outro dia escutei a discografia inteira do Arctic Monkeys e descobri que é horrível, então continuo à espera da reunião do Oasis.

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