Crítica | Raw

Crítica | Raw

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Ficha técnica

Crítica | Raw

Título original: Raw
Data de lançamento (na Netflix): agosto de 2017
Direção: Julia Ducournau
Gênero: Terror/Suspense
Produção: Jean de Forêts
Roteiro: Julia Ducournau
Distribuição: Focus World
Elenco: Garance, Marillier, Elia Rumpf, Laurent Lucas

Avaliação Uber7

Os fãs de cinema ganharam um ótimo filme para adicionar à lista de favoritos em 2017: ‘Raw‘, da estreante Julia Ducournau. Francês, roteiro cheio de duplos sentidos, terror psicológico, metáfora para um monte de situações que podem se passar também nas nossas vidas… apesar de instigar inúmeros clichês da crítica cinematográfica, essa é uma produção que surpreendeu pela qualidade técnica em vários aspectos.

A trama acompanha Janice, garota vegetariana que acaba de entrar para a faculdade de veterinária. No trote, ela é obrigada a comer um rim de coelho cru, o que desencadeia reações inesperadas no seu corpo.

Para assistir ‘Raw‘ (ou ‘Grave‘) é fundamental saber que o filme oscila entre o suspense e o gore, com o objetivo de causar angústia e inquietação simultaneamente. Não é uma produção convidativa, pois não tem medo de expor comportamentos degradantes e suas consequências, muitas vezes, nojentas.

Então por que diabos alguém assistiria isso?

Porque este é um produto cinematográfico muito competente. Os aspectos técnicos são de muita qualidade, é possível sentir a mão da direção quase o tempo todo (o que não é ruim, tendo em vista que Julia Ducournau parece ser uma ótima diretora), a fotografia não intimida mais que o necessário e os personagens principais se desenvolvem sem pressa.

Outra marca importante desse filme é a atuação da protagonista Garance Marillier. As expressões faciais da francesa provocam arrepios a cada arco que se desenvolve, pois a garota se torna cada vez mais primitiva à medida que passa a consumir carne.

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Mesmo não sendo um filme de terror clássico, ‘Raw‘ consegue a proeza de assustar por despertar instintos que deveriam estar muito quietinhos no nosso âmago. Não dá medo por apavorar, mas, sim, por expor situações desagradavelmente comuns. Entre estas lembranças inconvenientes está, por exemplo, o retrato de um cenário universitário que remete aos espectadores episódios de bullying e necessidade de autoafirmação por parte de veteranos, que se usam de trotes violentos para impor uma dominância, sabemos, desnecessária.

 

Um filme para cada espectador

Interpretações abertas preenchem vazios da narrativa de forma personalíssima, deixando a experiência diferente para cada um. Mas não se deixe enganar: não é porque o filme é subversivo que ele é automaticamente bom. ‘Raw‘ é um ótimo filme porque utiliza esses elementos alternativos de uma forma muito eficiente.

As metáforas que refletem problemas mais profundos e aplicáveis a quase todos nós se alternam com literalidades incômodas específicas da protagonista, como a crise de abstinência sob os lençóis da cama (em uma das cenas mais claustrofóbicas dos últimos tempos) e a fissura carnívora que passa a assolar Janice, ao ponto de fazê-la atacar a geladeira de madrugada para comer carne crua congelada.

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Com trilha sonora que se encaixa perfeitamente ritmo do filme, uma direção impecável e roteiro capaz de ser compreensível mesmo sem explicar tim-tim por tim-tim, ‘Raw‘ é uma obra que definitivamente vale a pena ser assistida. No Brasil, o filme nem chegou a estrear no circuito comercial – foi exibido apenas em festivais -, no entanto, já está disponível no catálogo da Netflix.

 

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Filipe Rodrigues

Jornalista, apaixonado por futebol, nerd e leonino. Apesar de acompanhar tudo o que acontece no mundo dos esportes, escolheu o universo das nerdices pra dedicar seu tempo produtivo e criativo. Gosta muito de Superman; entre Vingadores e X-Men fica com os mutantes; adora coisas nostálgicas como Digimon, Power Rangers e Dragon Ball; e seu filme favorito agora é Mad Max: Estrada da Fúria!

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