Crítica | Maze Runner: A Cura Mortal

Crítica | Maze Runner: A Cura Mortal

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Ficha técnica

Crítica | Maze Runner: A Cura Mortal

Título original: Maze Runner: Death Cure
Data de lançamento: 25 de janeiro de 2018
Direção: Wes Ball
Gênero: Distopia, ação
Produção: Ellen Goldsmith-Vein, Wyck Godfrey, Lee Stollman
Distribuição: 20th Century Fox
Roteiro: T.S. Nowlin
Elenco: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario, Thomas Brodie-Sangster, Ki Hong Lee, Giancarlo Esposito, Aidan Gillen, Barry Pepper, Will Poulter, Patricia Clarkson.

Avaliação Uber7

Os últimos anos tem sido uma era bastante distópica para adaptações de livros distópicos. Depois de ‘Jogos Vorazes’ se tornar um fenômeno genuíno, os estúdios passaram por uma série de gastos, cobrando histórias cada vez mais indistinguíveis e recheadas de regimes governamentais opressivos para possíveis franquias, com resultados claramente misturados. Desde que Jennifer Lawrence pendurou seu arco como Katniss, ‘Divergente’ faleceu com bastante ignomínia; ‘Ender’s Game’ e ‘A Quinta Onda’ provaram não serem interessantes o suficiente para sequer ganhar uma sequência; e depois de uma produção atrasada que viu seu astro principal, o ator Dylan O’Brien, ferido em um acidente no set, ‘Maze Runner: A Cura Mortal‘, terceira e última adaptação dos livros de James Dashner, finalmente chega aos cinemas.

A trilogia de livros best-seller de Dashner começou com uma premissa intrigante: um jovem amnésico acorda em um labirinto patrulhado por monstros, ele deve descobrir o que está acontecendo e, junto com seus novos amigos, achar uma forma de escapar. O problema é que a história se perdeu nela mesma, se degenerou em um pântano excessivamente complexo e muitas vezes insatisfatório da terceira obra. Dado um livro de fontes pouco promissoras, você poderia ter esperado que esta série desaparecesse no caminho das sequências como ‘Divergente’, mas, felizmente, a adaptação é suficientemente livre para dispensar grandes extensões de enredo e concentrar-se quase que inteiramente em emoções e ação, o que resultou em um algo muito satisfatório.

Maze Runner A Cura Mortal

Assim como os dois primeiros filmes da franquia ‘Maze Runner’, ‘A Cura Mortal’ acompanha Thomas e cia atravessando uma série de obstáculos perigosos, mas, pela primeira vez, eles estão no controle da situação. Ao invés de dançarem a música tocada, eles tomam os instrumentos com as próprias mãos e decidem agir no lugar de fugir. Se antes eles eram perdidos e não sabiam o que fazer, agora eles evoluíram, passaram a ter um propósito e direção.

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Pela primeira vez também o público consegue ter uma visão mais ampla das reais intenções da CRUEL que, colocando as experiências e torturas de lado, pode até ser vista como fonte de esperança para a humanidade. “Você pode salvar seus amigos ou todo mundo, Thomas”, diz Ava Paige ao personagem em certo momento, deixando transparecer que tudo que ele veio fazendo até agora também pode ser enxergado como um grande ato de egoísmo de alguém mimado. A própria personagem de Kaya Scodelario tem suas ações de traição do filme anterior justificadas de forma compreensível.

Mas não se preocupe, Aidan Gillen ainda está lá para lembrar que CRUEL é realmente cruel. Seu personagem, antagonista tímido do segundo filme, escalona categoricamente ao posto de vilão principal tornando a vida dos mocinhos um pouco mais difícil com suas ações que visam apenas poder e lucro. Entretanto, o filme falha em mostrar mais da relação dele com a líder da CRUEL que, em certo momento até sugere haver mais camadas do que apenas a de patrão e empregado aplicado entre os dois, mas que acaba de forma rápida e pouco convincente.

Maze Runner A Cura Mortal 4

Diferente de filmes que você claramente percebe que os atores só estão ali para cumprir contrato, ‘A Cura Mortal’ tem um empenho verdadeiro do elenco de maneira geral, principalmente dos mais novos. Rosa Salazar prova mais uma vez ser uma heroína de ação em fazer aqui muito mais do que em ‘Prova de Fogo’. Scodelario ganha um arco só dela e consegue cruzar um mar de motivações mais complicadas do que geralmente se vê em filmes do gênero. Mas é na relação entre Newt, interpretado por Brodie-Sangster, e Thomas que o longa ganha seus melhores momentos. Mesmo com um desfecho farejado a quilômetros de distância, a interação de amizade dos dois jovens carrega a emoção necessária para uma das cenas mais impactantes e tristes do filme.

A trilogia ‘Maze Runner’ surgiu um pouco atrasada para o gênero distópico, mas, mesmo com seus problemas e atrasos, conseguiu terminar com um final agradável e muito mais satisfatório que sua obra de origem, o que é muito mais do que os fãs poderiam esperar.

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Everson Araujo

Jornalista, aspirante a escritor, professor de inglês, executivo e grisalho. Geek de nascença, é viciado nas melhores séries de TV, quadrinhos e animes, tanto da atualidade quanto os clássicos. Amante de cinema e crítico, Everson vê no universo dos livros a incrível sensação de escape do mundo real.

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