Crítica | Kingsman: O Círculo Dourado

Crítica | Kingsman: O Círculo Dourado

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Ficha técnica

Crítica | Kingsman: O Círculo Dourado

Título original: Kingsman: The Golden Circle
Data de lançamento: 28 de setembro de 2017
Direção: Matthew Vaughn
Gênero: Ação/Comédia
Produção: Adam Bohling, Dave Reid, Matthew Vaughn
Roteiro: Jane Goldman, Matthew Vaughn, Matt Byrne
Distribuição: 20th Century Fox
Elenco: Taron Egerton, Mark Strong, Jeff Bridges, Pedro Pascal, Halle Barry, Channing Tatum, Colin Firth, Julianne Moore, Elton John

Avaliação Uber7

Fiel à proposta de satirizar o gênero de espionagem, a missão de ‘Kingsman: O Círculo Dourado‘ era inovar o suficiente para se diferenciar do seu antecessor, mas não o bastante para ainda manter o espírito elegante e violento dos agentes secretos britânicos. Apesar de um ou outro deslize, podemos dizer que o objetivo foi cumprido.

A história volta a acompanhar o ex-bad boy Eggsy (Taron Egerton), que se vê obrigado a ir até os Estados Unidos para pedir ajuda à Statesman – equivalente ianque à agência secreta Kingsman. Ele tem que impedir que o Círculo Dourado, uma organização internacional de tráfico de drogas, conclua seus planos de dominação mundial.

Novamente beneficiado pela excelente direção de Matthew Vaughn, o filme compensa pequenas falhas de roteiro com cenas de ação muito divertidas. Apesar do exagero no uso de tecnologias nas sequências de lutas e perseguições, as coreografias são muito bem construídas. Esse era um aspecto que necessariamente tinha que ser perfeito, pois foi um dos pilares responsáveis pela consolidação da “marca” que ‘Kingsman‘ virou.

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Pesa negativamente contra o roteiro a repetição de várias características do primeiro flime. A destruição da Kingsman para motivar a ida de Eggsy aos EUA, por exemplo, poderia ter sido substituída por algo mais inventivo. Além disso, um vilão maluco que possui mais poder do que juízo é uma fórmula batida nesse tipo de produção. A antagonista Poppy (Julianne Moore) não parece tão ameaçadora quanto diz ser, uma vez que se mantém muito tempo atrás de barreiras criadas por ela própria – ataques massivos à distância, esconderijo em uma ilha secreta, filas e filas de capangas, etc. Assim, o discuso acaba sendo muito mais perigoso do que as ações, prejudicando a sensação de risco que os protagonistas teoricamente se encontram.

No entanto, a mensagem passada por ela é muito clara. A lógica analogia com os debates sobre legalização das drogas e ineficácia geral na guerra contra o tráfico são retratadas de forma alegórica – mas a caricatura serve apenas para colorir uma questão mais profunda. O presidente dos EUA – que atua, na teoria, como presidente do mundo – é uma releitura escrachada de Donald Trump e seu discurso cego e intransigente. Apesar de render gargalhadas, o núcleo da vilã faz com que o público acabe “rindo de nervoso” ao perceber que aquele cenário existe também na vida real.

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Comédia assumida

Em vez de doses econômicas de piadinhas, o filme se assume como uma comédia “full time” e chega a ser um pastelão de ação em determinados momentos. A violência honesta se mistura à galhofa total e o resultado acaba sendo positivo – não é sempre que faz sentido ver uma maleta que se transforma em metralhadora, Elton John interpretando uma versão carnavalesca de si mesmo ou um bondinho de estação de esqui deslizando a uma velocidade mortal em direção a um asilo, não é mesmo?

Outro diferencial é a introdução de novos personagens – item beneficiado pelo status dos atores que se juntaram ao elenco. Halle Barry, Jeff Bridges, Pedro Pascal e Channing Tatum são os representantes da Statesman e refletem muito bem a americanização da espionagem que ‘Círculo Dourado‘ quer mostrar. Os sotaques e trejeitos sulistas levam eles para o extremo oposto dos engomadinhos e requintados agentes britânicos, causando um contraste muito interessante.

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Como diria o poeta: tirando o que foi ruim, foi muito bom. A alegria de revisitar esse universo foi preservada, mesmo não sendo possível alcançar o nível de qualidade do primeiro filme. Para a grande expectativa criada em torno do lançamento, ‘Kingsman‘ não compromete e se mantém como uma das franquias mais queridas da atualidade.

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Filipe Rodrigues

Jornalista, apaixonado por futebol, nerd e leonino. Apesar de acompanhar tudo o que acontece no mundo dos esportes, escolheu o universo das nerdices pra dedicar seu tempo produtivo e criativo. Gosta muito de Superman; entre Vingadores e X-Men fica com os mutantes; adora coisas nostálgicas como Digimon, Power Rangers e Dragon Ball; e seu filme favorito agora é Mad Max: Estrada da Fúria!

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