Crítica | Jogo Perigoso

Crítica | Jogo Perigoso

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Ficha técnica

Crítica | Jogo Perigoso

Título original: Gerald’s Game
Data de lançamento: 29 de setembro de 2017
Direção: Mike Flanagan
Gênero: Suspense, terror
Produção: Travor Macy, D.Scott Lumpkin, Ian Bricke, Matt Levin,
Roteiro: Jeff Howar e Mike Flanagan
Distribuição: Netflix
Elenco: Carla Gugino, Bruce Greenwood, Chiara Aurélia, Henry Thomas, Carel Struycken, Kate SiegelKate Siegel

Avaliação Uber7

Esse é o ano (2017) de Stephen King no cinema e na televisão. A consequência dessa overdose de King é o nascimento de boas obras como ‘IT: A Coisa’ e de outras nem tanto assim, não é mesmo, ‘Torre Negra’? Porém, na ultima sexta-feira (29 de setembro), a Netflix entregou uma grata surpresa. Baseado no livro homônimo de lançado em 1992, ‘Jogo Perigoso’ (Gerald’s Game) é o mais novo filme produzido e lançado pela gigante de streaming.

O longa mostra Jessie Burlingame (Carla Gugino) e seu marido Gerald Burlingame (Bruce Greenwood), casal que decide viajar para sua afastada casa no interior, na intenção de reanimar um casamento que parece ter caído na monotonia. Entretanto, após um trágico acontecimento, apavorantes segredos são revelados em meio a uma luta pela sobrevivência. O enredo parece bem despretensioso, mas, como estamos acostumados, nada escrito por Stephen King é simples, e o que parecia rudimentar, logo vira uma trama cheia de suspense, terror e até uma boa pitada de gore.

A direção fica por conta de Mike Flanagan, conhecido por filmes de terror como ‘Ouija: Origem do mal‘ e ‘Hush: A morte ouve‘. Flanagan também assina roteiro junto com Jeff Howard, seu parceiro em ‘Ouija’.

O filme trás um tema bastante delicado e usa assustadoras metáforas para mostrar a dificuldade que é enfrentar demônios do passado e como é penoso nos libertamos desses “monstros”. Monstros que parecem estar de volta. No argumento da película, é possivel acompanhar assuntos como violência, relacionamentos abusivos, luta pela sobrevivência, traumas, machismo, e acredite, com espaço para a superação.

Por ser da Netflix, o filme é de orçamento modesto. Característica que acompanha vários bons longas do gênero. Há elementos clássicos de filmes de terror de cabana e de histórias de sobrevivência, chegando até a lembrar um pouco o ‘127 Horas‘. O suspense psicológico vem de uma direção que muitas vezes deixa o diálogo correr e da opção pela pouca trilha sonora. O diretor mistura vários planos, elucidando bem o sentimento dos personagens, tirando o máximo do econômico cenário – boa parte do filme se passa em apenas um quarto – e aproveitando muito bem a ótima Carla Gugino, que entrega um trabalho de muita dedicação e alta performance. Mesmo estando grande parte da historia algemada, o filme é dela.

Jogo Perigoso

Carla Gugino e Flanagan, constroem a personagem principal, Jessie, de forma que ela fuja dos clichês das mulheres de filmes de terror que passam gritando e chorando estridentemente. Ela é forte, inteligente, determinada e evolui durante a narrativa. A atriz Chiara Aurélia, que interpreta Jessie na juventude, entrega ainda mais humanidade e camadas para a personagem.

Bons filmes do gênero encaixam bem o cinismo e o sarcasmo ao terror, e aqui não é diferente. A exemplo disso, temos uma cena que Gerald briga com Jessie por ela dar carne de primeira para um cachorro que passava fome. Depois disso, tem um acontecimento que… credo! Você que já assistiu, sabe do que se trata. É ou não é de um cinismo e sarcasmo doentio?

O ritmo é bom, nem da para sentir o filme passar, tirando o último ato, que é um pouco arrastado e muito explicativo. Pena que também temos algumas cenas bregas e um final cafona, mas que entrega uma boa “moral” para a história.

+Leia também: Pesquisar Cinco livros fantásticos de Stephen King13/09/2017 Top 7 | Filmes baseados em obras de Stephen King

Stephen King sempre soube tratar assuntos sombrios do ser humano usando o fantástico e o lúdico, e aqui neste filme não é diferente. Cachorro (seria o Cujo?), sofrimento, monstros, delírios, prisão, eclipse, tudo isso são metáforas para tentar explicar aquele algo a mais da alma. Sendo assustador ou não.

Com cenas que são um merecido “soco no estômago” do espectador e poucas ressalvas, é um bom filme para pegar a pipoca, refletir um pouco e roer as unhas.

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Klauber Vieira

Nasceu em Porto Alegre, mas foi em Brasília que criou raízes - na capital ele cursou cinema, publicidade e atualmente é professor de História. Klauber é daqueles que não baixa filmes porque ama e defende toda a experiência que envolve o cinema: comentar cartazes e trailers enquanto pega fila, reclamar da pipoca e sentar com dificuldade nas cadeiras. Educado pelos pais e criado por filmes, gosta de tudo: de Rei Leão a Pink Flamingo; de Pontes de Madison a Jurassic Park. Torcedor do Inter e um eficiente gamer, às vezes é um "velho jovem" e às vezes um "jovem velho"

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