Crítica | Amityville: O Despertar

Crítica | Amityville: O Despertar

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Ficha técnica

Crítica | Amityville: O Despertar

Título original: Amityville: The Awakening
Data de lançamento: 14 de setembro de 2017
Direção: Franck Khalfoun
Gênero: Terror
Produção: Avi Lerner, Bob Weinstein, Casey La Scala, Daniel Farrands, Jason Blum, Harvey Weinstein
Roteiro: Franck Khalfoun
Distribuição: Paris Filmes
Elenco: Bella Thorne, Cameron Monaghan, Jannifer Jason Leigh, Taylor Spraitler, Mckenna Grace, Jennifer Morrison

Avaliação Uber7

Estreia nesta quinta-feira (14), no Brasil, o filme ‘Amityville: O Despertar‘, com a promessa de trazer de volta às telonas, com um toque moderno, o cenário da casa mal assombrada mais conhecida dos Estados Unidos. O longa, com duração de 85 minutos (cerca de 1h25), é obra do diretor e escritor Franck Khalfoun, que trabalhou em ‘Piranhas 3D’, e do estúdio The Weinstein Company.

Antes de chegar aos cinemas, o primeiro roteiro envolvia uma jornalista decidida a investigar a perversa casa de Amityville e descobrir se algo realmente malévolo cercava o lugar. O longa seria feito nos moldes de found footage – uma espécie de documentário – como foram os filmes ‘REC’ e o ‘Blair Witch Project‘. A data inicial de lançamento seria em, pasmem, 27 de janeiro de 2012. Por conta de vários problemas, como atrasos para definir o enredo, essa versão do longa foi descartada e a produção do filme só foi retomada em março de 2014, com previsão de estreia em janeiro de 2015.

Ainda em 2014, no ano em que retomaram os trabalhos, a equipe decidiu adiar novamente a estreia para abril de 2016, devido a uma reestruturação interna da empresa. Ao realizarem os testes para o lançamento, a resposta que os produtores obtiveram sobre o filme foi negativa, levando a película a ser editada e adiada para janeiro de 2017 e depois para junho e julho deste ano. Por fim, é com muito esforço que o filme chega hoje ao Brasil, mesmo que já tenha sido exibido na Ucrânia, mesmo sem ninguém saber o porquê, desde julho deste ano.

A história se passa em 2014 e conta a passagem da jovem Belle (Bella Thorne), a mãe Joan (Jennifer Jason Leigh), a pequena irmã Juliet (Mckeena Grace) e James (Cameron Monaghan), irmão gêmeo da Belle – que, devido a um incidente, está em estado vegetativo – pela casa misteriosa. Para economizar dinheiro com o tratamento de James e para ficar perto de seus parentes, Joan decide se mudar com os filhos para a agradável cidade de Amityville. Quando sonhos e visões começam a invadir o pensamento de Belle e, ao mesmo tempo, o seu irmão começa a melhorar de um quadro clínico irreversível, a protagonista começa a desconfiar que algo está errado com a família.

A notória casa de AmityvilleA notória casa de Amityville
 

Apesar de ser um caso notório no EUA, com mais de nove livros e 19 filmes, sendo quatro dessas obras citadas no longa, em tempos de ferramentas de pesquisa por todos os lados, Belle não reconhece a casa e sua mãe prefere manter como segredo essa informação. A jovem decide pesquisar o que aconteceu na residência e descobre a triste e horrível verdade somente depois de conversar com um colega de sala. A ideia era descontextualizar uma jovem ingênua, mas o tom saiu ao nível de estupidez.

Em geral, a atuação é de baixa qualidade, nenhum ator consegue se destacar em seu papel. Assim, é mais do que esperado que o público não consiga criar qualquer vínculo emocional com a família. Para obedecer aos clichês, Belle age como a adolescente rebelde típica de tantos filmes de terror, Mckeena, a pequena irmã indefesa, tem menos cenas de interesse do que os atores secundários e é difícil entender se a personagem de Jennifer está possuída ou dopada durante toda a obra. Não é com muito esforço que a melhor atuação é de Cameron, que fica em coma por mais de 50 minutos.

Até então, o filme é um terror altamente previsível e sem qualquer novidade. Não existe profundidade na história, afinal foi tanto drama antes do filme chegar aos cinemas que se torna complicado entender o que justificou essa produção. Grande parte de ‘Amityville: O Despertar’ – que poderia facilmente ter sido descartada ainda na sua primeira data de lançamento – se resume a tentativas de assustar o espectador sem criar um ambiente para isso. A casa, mesmo com todo seu histórico, passa a ser somente uma casa qualquer. Entre uma pilha de defeitos, a única coisa razoável é a edição sonora, exemplificada pelo ranger do piso de madeira e entre outros efeitos.

amityville o despertar 2

Para piorar o que já não é bom, ao desenvolver do filme, descobrimos que antes de ir para Amityville, Belle havia passado por um caso de exposição na internet: a jovem teria enviado fotos íntimas a um conhecido e essas foram parar nas redes sociais. Numa tentativa de justiça, James decide enfrentar o assediador e é atirado por ele do terceiro andar, o que resultou em uma morte cerebral.

A mãe da menina e até mesmo James culpam Belle pelo acidente e, se refletirmos sobre o assunto, a culpa do vazamento das fotos também parece cair, erradamente, sobre os ombros da jovem, como se o fato de alguém tê-la exposto fosse exclusivamente consequência de seus atos. É assim que o filme, de forma ordinária, passa a reforçar a visão de que, em casos de divulgação de fotos nuas na internet, a culpabilidade é da vítima e não do autor, mesmo que isso seja crime.

Por fim, quem assiste ao longa deve se contentar com um ponto positivo: vimos no cinema um dos terrores que nossos filhos assistirão no velho Corujão.

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Gustavo Salomon

Jornalista, brasiliense e estudante de Aviação Civil. Já aos quatro anos de idade tomava mamadeira e jogava no PC do pai. Desde então é viciado em filmes, jogos de tabuleiro e videogames, dos mais antigos até os últimos lançamentos. É da época em se assoprava o cartucho e que se comprava revistas de game para passar de fases difíceis.

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