Dia dos Namorados | Casais do cinema que não tiveram final feliz

Dia dos Namorados | Casais do cinema que não tiveram final feliz

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Esse post é para você! Você que pretende afogar as mágoas e chorar as pitangas nesse 12 de junho. Você aí, que procura um filme emocionante e, digamos, educativo para assistir em casal neste Dia dos Namorados. Você que desacreditou do velho conto de fadas e acha que a fatalista Lei de Murphy faz todo o sentido. Você, também, fã de um bom dramalhão hollywoodiano, adepta do quanto mais triste melhor. Você, amiga, que procura um motivo para não se apaixonar. Você que vai passar o dia 12 longe de quem ama e quer mais é ficar de meia, em casa, acompanhada apenas da sua continha no Netflix. Você que precisa de força para superar um término sofrido – e perceber, em fim, que o show continua. E você, é claro, que tá solteiro e quer companhia: nada de ver gente sendo feliz para sempre o tempo todo – nem na rua, nem em casa e muito menos no seu sagrado cineminha.

Comemorado em 12 de junho, propositalmente em função do dia destinado ao casamenteiro Santo Antônio, o Dia dos Namorados é um dos eventos mais celebrados do ano. Com a proximidade da data, muito se fala sobre contos de fadas, pares perfeitos, romances eternos e sobre todas as histórias de amor da ficção que são exemplos de um relacionamento ideal. Se engana quem pensa, no entanto, que a indústria vive apenas de sonhos realizados, desafios superados e encorajadores finais felizes. Antes fosse. A morte, a desilusão e a tragédia andam de mãos dadas com os filmes de romance, que colecionam casais que não deram certo ou, pior, foram brutalmente interrompidos por acidentes ou diagnósticos médicos. Quer relembrar alguns deles e, de quebra, ganhar ótimas sugestões de filmes para assistir neste domingo? O Uber7 te ajuda!

 

JACK E ROSE (TITANIC)

A história que todo mundo conhece, saída direto do clássico de James Cameron, de 1997. Presa às convenções sociais que a faziam infeliz e a um noivo que não amava, a bela Rose encontra, na terceira classe de um navio gigantesco, o seu passaporte para a liberdade – este, aliás, na forma de um jovem artista loiro com babyface e olhos azuis. Vítimas fictícias de um dos maiores naufrágios de todos os tempos, os personagens de Kate Winslet e Leonardo Dicaprio formaram um dos casais mais inesquecíveis do cinema – mesmo sem ter tido o que chamamos de “felizes para sempre”. O romance intenso durou poucos dias e acabou de forma trágica no meio do oceano, quando o RMS Titanic colidiu com um iceberg e matou mais de 1500 pessoas. Graças ao egoísmo de Rose em ceder um espacinho da porta ao namorado (cabia sim, miga, nem vem), o pobre Jack morreu congelado e o namorico, embalado por “My Heart Will Go On”, de Celine Dion, desceu, literalmente, por água abaixo.

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DAVID E SOFIA (VANILLA SKY)

Devia ser obrigação do universo fazer com que um casal composto por Penélope e Tom Cruz desse certo – isso, é claro, se ‘Vanilla Sky’ seguisse alguma regra. Quem enxergou na beleza do ator, estampada no poster promocional com todo um céu azul de fundo, um indício de filme romântico, quebrou a cara. Você pode não ter entendido todos os detalhes do confuso enredo, aliás, mas uma coisa certamente você captou: David e Sofia não ficaram juntos. Depois de sofrer um grave acidente de carro, que deixou seu rosto desfigurado, David sofre mudanças de humor que colocam uma pedra em seu relacionamento com Sofia. Se esse foi o fim da linha para o casal? Quem dera, amigos. No filme do cineasta Cameron Crowe, tragédia pouca é bobagem: depois do acidente, David tem uma overdose e é congelado, o que provoca delírios em sua mente – tudo isso enquanto Sofia é atropelada e morre. Que beleza, ein?

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ENNIS E JACK (O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN)

Nem final, nem meio e nem comecinho feliz. Os jovens vaqueiros de Wyoming, vividos por Jake Gyllenhaal e Heath Ledger, se conheceram e se apaixonaram nos anos 60, numa época difícil (e perigosa!) de se assumir um romance homossexual. Com a separação inevitável e a volta para o mundo real, ambos tocaram as vidas individualmente, casados com mulheres que não conseguiam amar e construindo famílias que não os deixavam totalmente satisfeitos. Jack e Ennis só voltaram a se encontrar anos depois, quando passaram a se relacionar às escondidas, com viagens esporádicas às montanhas. Em uma linha temporal extensa, que vai de 1963 a 1983, casamentos terminaram, novos relacionamentos começaram e os dois lidaram, incontáveis vezes, com a recusa incisiva e Ennis em assumir o amor entre eles – por medo, principalmente, do ódio das pessoas.

No fim das contas, como contos de fadas é coisa para a Disney, o ódio acabou vencendo: Jack foi brutalmente assassinado por um grupo homofóbico e Ennis terminou sozinho, num luto incurável, reverenciando duas camisetas e uma foto da montanha Brokeback.

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TOM E SUMMER (500 DIAS COM ELA)

Nem uma trilha sonora com Regina Spektor, Carla Bruni e Hall & Oates conseguiu amolecer o coração de Summer em ‘500 Dias Com Ela’. Lançado em 2009 e na lista dos melhores longas de Marc Webb, o filme subverte as regras do gênero e nos oferece uma experiência totalmente diferente no que diz respeito às comédias românticas – tanto pela excelente narrativa não linear quanto pela derrota de quem acreditou, até o último segundo, que o casal terminaria junto. Num típico “garoto encontra garota”, que caracteriza a maior parte dos filmes do gênero, conhecemos o jovem Tom, um romântico incorrigível. Ele está atrás do amor de sua vida e quando vê Summer entrar no escritório o click é instantâneo: ele não só se apaixona de forma intensa como aposta todas as suas fichas em uma mulher que não acredita no amor.

Marc Webb tentou avisar: ‘500 Dias Com Ela’ é a história de um rapaz que conhece uma garota, sim, mas não é uma história de amor. Se, para Tom, Summer era um presente do destino, para ela o nosso querido Joseph Gordon-Levitt, no auge de sua fofura em 2009, foi um intervalo entre o que já foi e o que estava por vir. Summer não ouvia ‘She’s Like The Wind’ ao pensar em Tom e, pelo contrário, reforçou, o filme inteiro, sua falta de entrega e inaptidão para estar naquele relacionamento. O que Tom descobriu, a duras penas e após 500 dias instáveis, foi que Summer, afinal, acreditava no amor tanto quanto ele, mas jamais acreditou que poderia amá-lo. Ela queria um relacionamento, como todos nós, reles mortais – mas não queria um relacionamento COM ELE.

Convenhamos: quem nunca deu uma Summer na vida, não é verdade?

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BENJAMIN E DAISY (O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON)

Benjamin e Daisy foram, literalmente, separados pelo tempo. Isso porque Benjamin Button, um fenômeno que ninguém se deu o trabalho de estudar no filme de David Fincher, nasceu com o aspecto e as limitações físicas de um ancião – encarquilhado, surdo, cego e debilitado. Seguindo a rotação contrária do relógio, ele rejuvenesce com o tempo, enquanto Daisy, o amor de sua vida, fica mais velha a cada ano. Enquanto ela é jovem, Benjamin é velho. Enquanto ele é jovem, Daisy envelhece. Quando o casal se encontra, na metade da vida, breve momento em que fisicamente parecem ter a mesma idade, acontece o que chamamos de casamento convencional. A relação, no entanto, termina quando um Benjamin cada vez mais garotão decide abandonar a família, com medo de que Daisy termine a vida, idosa, cuidando de dois bebês (ele e a filha) – o que acabou, de fato, acontecendo.

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DAN E ALICE (CLOSER)

Não é só a morte que justifica os finais infelizes no cinema. Às vezes é a própria vida, com sua realidade e constante insatisfação, que leva os casais ao fim – e, cá entre nós, é impossível falar de términos intrincados e não lembrar de ‘Closer’. Lançado em 2004, o romance de Mike Nichols não é intenso apenas por contar com “The Blowers Daughter”, do Damien Rice, na trilha sonora. Ao se aprofundar na complexidade de quatro pessoas e seus relacionamentos conturbados, Nichols nos presenteia com um final, no mínimo, imprevisível – onde, na busca incessante pela felicidade e pelo amor, os protagonistas encerram o filme sem nenhum dos dois. No fim, temos Jude Law solteirão, descobrindo que sua Alice, na verdade, nunca foi uma Alice: Natalie Portman mentiu no que pode, meteu o pé e, depois de muita enganação, acabou o filme divando sozinha, com cabelos ao vento, no meio da multidão.

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CHRISTIAN E SATINE (MOULING ROUGE)

Hollywood dá e Hollywood tira – quanto mais cedo você absorver essa verdade, mais rápido aceitará o desfecho de alguns roteiros, que adoram combinar o amor e a morte. Se a indústria aprecia o bom e velho “feliz para sempre”, o mesmo vale para a clássica “foi bom enquanto durou” – sob essa máxima, aliás, podemos listar vários romances em que o casal de pombinhos, antes tão saudáveis, tiveram o final feliz interrompido por um diagnóstico médico. Foi assim com Keanu Reeves (Doce Novembro), Hilary Swank (PS Eu Te Amo), Richard Gere (Outono em Nova York), Jeremy Irvine (Agora É Para Sempre), Shailene Woodley (A Culpa é Das Estrelas), Julia Roberts (Tudo Por Amor) e até com Shane West (Um Amor Para Recordar). Todos sobreviveram ao luto para contar a nos, reles espectadores emotivos, a trágica história de seus namoros interrompidos.

Na lista dos sobreviventes mais sofridos do cinema está Ewan McGregor em ‘Moulin Rouge’, um poeta que desafiou a autoridade do pai e foi parar, justamente, num bordel e clube de dança em Paris. Embora Christian nos anuncie o fim trágico de sua história de amor com a cortesã Satine logo nos primeiros minutos de filme, somos inclinados a acreditar, até o último minuto, que seu relacionamento terá um final feliz. Ledo engano. A morte de Satine é uma das cenas mais tristes dos musicais: Nicole Kidman, linda, caída num palco de flores, nos braços do homem que amava, cujo coração está completamente destruído. Ah, como o amor pode ser cruel…

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MOLLY E SAM (GHOST: DO OUTRO LADO DA VIDA)

Sábio aquele quem disse que a inveja mata, não é verdade? Em ‘Ghost’, clássico do ano 1990 e repeteco na Sessão da Tarde (não que estejamos achando ruim), foi esse sentimento negativo que colocou um ponto final no romance de Molly e Sam, casal que patenteou o romantismo com argila. Logo no início do filme, dirigido por Jerry Zucker, nosso querido Patrick Swayze é assassinado pelo suposto melhor amigo do casal. Mesmo em forma de espírito, ele tenta proteger sua amada Molly, chegando, inclusive, a usar o corpo de Whoopi Goldberg para ter um (bem embaraçoso) momento de despedida com a ex-namorada. No fim, Sam finalmente foi para a luz e conseguiu descansar em paz. Nossa querida Demi Moore ficou sozinha e, perdida, a pobrezinha acabou cometendo aqueles erros típicos de uma jovem enlutada, como o péssimo Striptease, de 1996. Pobre, Demi…

 

ALVY E ANNIE  (NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA)

Um dos maiores motivos para um relacionamento não dar certo, seja na ficção ou na vida real, é que às vezes, simplesmente, não é para ser. Foi assim com Alvy, o noivo neurótico, e Annie, a noiva nervosa – icônicos personagens da comédia romântica de Woody Allen. O casal ilustra perfeitamente a dificuldade que é manter um relacionamento, como a convivência pode ser complicada e o exercício diário de tentar descobrir aonde, afinal, está o erro e quando, raios, ele surgiu.

‘Noivo Neurótico, Noiva Nervosa’ se aprofunda nas crises conjugais e explora, como poucos filmes conseguiram fazer até hoje, as excentricidades e peculiaridades na vida de um casal inteiramente oposto, vítima de uma intensa falha de comunicação. Por mais sentimento que existisse entre Alvy e Annie – e por mais que suas personalidades apaixonantes e tão bem conduzidas pelo roteiro despertassem uma torcida fervorosa em nós para que aquele final fosse diferente – o casal não vingou. A última vez que os dois estiveram juntos, de acordo com a narração do próprio Woody, foi em um almoço em Nova York, relembrando os velhos tempos até que a noite caísse e ambos tivessem que voltar, respectivamente, para suas novas vidas.

 

SETH E MAGGIE (CIDADE DOS ANJOS)

Pegue o lencinho e deixe “Iris”, do Goo Goo Dolls, rolando no Spotify enquanto remoemos, juntos, o fim violento de ‘Cidade dos Anjos’. Esse filme de 1998 tinha tudo para ser um romance com final feliz, afinal de contas, se até Deus liberou o anjo Seth para viver sua história de amor na terra, o que mais poderia dar errado? Quem comemorou antes da hora, no entanto, ganhou uma decepção daquelas: ‘Cidade dos Anjos’ é a prova cabal de que uma história só acaba quando termina e, até o rolar dos créditos, tudo que puder dar errado, provavelmente, dará. Foi o que aconteceu com Meg Ryan, que depois de tudo, acabou estatelada no asfalto, atropelada por um caminhão enquanto pedalava, distraída, sentindo o calor gostosinho do sol. Mais triste que a Dra. Maggie afirmando que quando a perguntarem, lá em cima, do que gostou mais ela dirá que foi dele, só mesmo Nicolas Cage, nas cenas finais, dizendo que preferiria ter feito tudo aquilo uma única vez, do que jamais ter feito.

 

EMMA E DEXTER (UM DIA)

Falando em bicicletas e atropelamentos, conheça ‘Um Dia’, filme de Lone Scherfig, lançado em 2011. Na história conhecemos Emma e Dexter, um casal de amigos que demorou vinte anos para, finalmente, perceber que havia algo mais entre eles – a típica distração dos filmes de romance. Até que o relacionamento da dupla engrenasse, o filme nos apresenta cada detalhe de suas vidas isoladamente, que só nos faz perceber, em mais de uma hora de filme, como eles teriam mais sucesso se levassem uma vida juntos. Uma vida que, para a nossa tristeza, não teve um prazo de validade muito longo. Assim como em ‘Cidade dos Anjos’, a felicidade de Emma e Dex é interrompida de forma abrupta, quando nossa amada Anne Hathaway volta para casa de bicicleta num fim de tarde…

Para você não começar a achar que o problema, na verdade, estão nas bicicletas, acidentes de outra natureza também destruíram casais no cinema. Em ‘Antes Que Termine o Dia’, Ian e Samantha sofreram um acidente de carro; em ‘Meu Primeiro Amor’, o namorico de Thomas e Vada acabou quando ele foi picado por uma abelha; em ‘O Espetacular Homem Aranha 2’, Gwen é jogada de uma altura imensa não é salva à tempo por Peter e até o ataque terrorista de 11 de setembro já separou casal em Hollywood, como aconteceu com Tyler e Ally em ‘Lembranças’.

 

THEODORE E SAMANTHA (ELA)

Parafraseando Alvo Dumbledore, “estar dentro da nossa cabeça, não significa que não exista”. Assim foi o relacionamento de Theodore com seu sistema operacional – e quem, afinal de contas, pode dizer que não foi uma relação verdadeira? Lançado em 2013, ‘Ela’, de Spike Jonze, explora as diferentes configurações do amor no mundo moderno por meio da incrível história de um homem que se apaixonou por um computador. O namoro de Theodore e Samantha, aliás, teve todas as características de um relacionamento comum: amor, diversão, companheirismo, ciúme, sexo, possessão e todo o sentimento de pertencimento que pontua as relações nessa era virtual. Para quem esperava, contudo, que ‘Ela’ fosse apenas mais uma irreverente história de amor, que celebra as paixões virtuais e defende a inclusão digital, ledo engano. O filme encerra de forma amarga, com um rompimento que nos faz analisar a nossa forma de lidar com a tecnologia e com os amores invisíveis que ela, inevitavelmente, traz.

 

OUTROS FILMES: Achou pouco? Então senta que, além de todos os filmes mencionados, tem mais: Gil e Inez (Meia Noite em Paris); Robbie e Cecilia (Desejo e Reparação); Evan e Kayleigh (Efeito Borboleta); Richard e Elise (Em Algum Lugar do Passado); George e Jim (Direito de Amar); Romeu e Julieta (Romeu e Julieta); Sarah e Nick (Amor Sem Fronteiras); Janet e Jake (Simplesmente Complicado); Justine e Holden (Por Um Sentido na Vida); Dean e Cynthia (Namorados Para Sempre); Geoffrey e Sarah (O Amor Pode Dar Certo); Sutter e Aimee (O Espetacular Agora); Brooke e Gary (Separados Pelo Casamento) e Francesca e Robert (As Pontes de Madison).

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Dandara Santos

Jovem-idosa, nerd aspirante a milionária e jornalista. Danda lê livros como terapia, assiste mais séries do que consegue, tem preferências musicais incompatíveis e vê no cinema uma segunda casa. Natural de Brasília, tem 24 anos num corpo de 16 - fato que tenta remediar, inutilmente, na base do fast food. Pseudo-hipocondríaca, viciada em listas e perfeccionista, sofre com a necessidade patológica de expressar sua opinião.

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